Fluminense 0 x 1 Palmeiras - 21/07/2002

O time atual não é a cara do FLUMINENSE

Foram os mesmos erros de sempre. Erros de uma equipe limitada. Limitação que só faz esse elenco vencer, no máximo, um Estadual falido. Eles não são perdedores como os que foram rebaixados (se bem que alguns deles caíram para a segunda e terceira divisões), mas também estão longe de ser vencedores. O Fluminense, que antes era campeão por detalhes, passou a perder títulos, com esses jogadores, por detalhes.

O adversário de hoje não era nada de mais. É uma equipe razoável, que pode vencer de 1 a 0, assim como perder por 6 a 2. Esta oscilação é o retrato do baixo nível técnico do futebol brasileiro. E dentro da limitação técnica atual, atletas como Marcos e Arce são grandes estrelas. Para tais ?estrelas? fica fácil quando o adversário joga covardemente, não consegue se impor e se intimida por jogar no dia do Centenário do clube.

A falta de moral começa pelo gol. O Murilo tem a sina de pecar nas horas decisivas, ao contrário do Vagner, ex-goleiro do Botafogo. De repente, a solução é contratar o Vagner. O Murilo agarraria durante a fase classificatória dos Campeonatos, quando costuma ter uma boa regularidade, e o Vagner entraria apenas na fase final. Certamente não veríamos falhas em cruzamentos, faltas, reposições ou bolas recuadas.

Na lateral-direita temos o Flavio. Ele cometeu aquela falta ridícula no gol do Arce. Tinham dois jogadores em cima, mas ele acabou fazendo algo totalmente desnecessário. Não só desnecessário como perigoso. O perigo acabou refletindo em gol, o único que o Flu tomou na Copa dos Campeões e suficiente para nos eliminar. Nosso lateral-direito é até um pouco acima da média dos que tem por aí, mas o Porco tem dois melhores - Arce e Leonardo.

Na quarta-zaga, o Flu tem, para mim, um dos melhores jogadores brasileiros na posição. No entanto, o Régis tem alguns problemas. Um deles é se achar muito melhor do que realmente é. Tal autoconfiança resulta em saídas de bola que podem comprometer um Campeonato, como o Brasileiro de 2001 e a Rio-São Paulo do mesmo ano. Além disso, ele chega, muitas vezes, atrasado e pára algumas jogadas com faltas até violentas, como a cometida no Leonardo.

Quem faz dupla com Régis é o César. Ele é muito gente boa, tricolor, mas não transmite segurança suficiente para ser titular. A cabeçada dele no gol palmeirense foi patética. Parecia uma vídeo-cassetada. Não entendi o que ele estava fazendo ali. Precisamos de um reforço urgente para a posição, até porque o Maurício Fernandes consegue ser ainda pior. Quem merecia uma chance é o Zé Carlos, que sempre treina bem.

Na lateral-esquerda temos um jogador que ainda é precipitado se avaliar, apesar de que para o Brasileiro precisamos de mais um para a posição. O Marquinhos me agradava muito no Bangu. Era um jogador voluntarioso e que sabe cruzar. Todavia, ele tem recebido poucas bolas. O nosso único armador, geralmente, prefere optar pelo já conhecido do setor direito. E sem muita oportunidade fica difícil o Marquinhos aparecer.

Nosso meio-campo começa com um jogador que completou 100 jogos pelo Flu hoje. Pensei que ele entraria com mais raça por causa disso. Triste ilusão. Ele foi apático durante todo o jogo. Nem as tradicionais faltas foram vistas. Para alguém que é tão experiente e capitão da equipe se esperava muito mais. Ele saiu para o lugar de Carlos Alberto, que é uma jovem revelação de apenas 17 anos e ainda tem muito futebol para mostrar.

A nossa camisa sete é o Marcão. Aliás, ele não tem nada a ver com a sete, assim como o Magno não combina com a oito, mas tudo bem. Marcão é um atleta aglutinador, tem bastante garra, desarma bem, não erra muitos passes, mas não é nada a mais que isso. Ele não tem a liderança de um Dunga, a categoria de um Kleberson, a estrela de um Mauro Silva ou a presença de um Gilberto Silva.

O terceiro-homem de meio-campo é um jogador que não entendo porque ainda está nas Laranjeiras. Se o Sidnei fosse tão bom assim, o Oswaldo faria questão de levá-lo de volta para o São Paulo. Chega a irritar como ele fica perdido em campo, mas o pior foi ver Agnaldo em seu lugar. Agnaldo consegue ser pior do que o Roni. Ele, além de perder gols feitos, arma contra-ataques adversários.

Nosso quarto-homem era o único que armava jogadas no meio-campo. Fernando Diniz tem uma disposição incomum. Pena que se queimou ao tentar criar uma panelinha. Em breve deve pintar no Morumbi. Serão 55 mil reais a menos na folha de pagamento mensal, mas os que vierem devem custar bem mais caro. Só espero que o Diniz não leve junto toda a patota dele porque perderíamos o nosso único zagueiro.

Começamos o ataque pelo Roni. Hoje foi, talvez, o fim do seu ciclo nas Laranjeiras. Ele já perdeu um pênalti decisivo contra o São Paulo que o levou à Arábia. Depois de perder mais um no dia do Centenário não faço idéia de onde ele pode parar. Durante o jogo entrou em seu lugar o Marco Brito. Ele é o nosso atacante mais injustiçado e que teve menos oportunidades. Nas poucas que teve mostrou estrela para, pelo menos, cobrar bem pênaltis.

O outro atacante que fechou o time hoje é o Magno Alves. Pelo visto, ele precisará de umas 20 partidas para chegar aos 100 gols com a camisa tricolor. O Magno é o custo-benefício mais desvantajoso do futebol brasileiro. Ele não sai do Flu porque vai ser impossível um clube nacional pagar 120 mil por mês para vê-lo perder tantos gols. E nessa Copa dos Campeões, ele se superou na arte de perder gols. Como eu queria o Romário em seu lugar...

Para finalizar a análise do time falta o técnico Robertinho. Na minha opinião é o menos culpado, até porque os recursos humanos que tem a sua disposição são tristes. Acho provável que contratem outro para o seu lugar, apesar de ele ser um técnico barato e com seu preço não haver outro superior. Dos técnicos mais caros, o Flu, no momento, não tem condição de bancar.

Fico triste com a eliminação, ainda mais no dia que foi. Todavia, quero deixar bem claro que o FLUMINENSE está muito acima deste time atual. O clube já é uma Instituição Centenária. Não é uma derrota que manchará a comemoração dos cem anos. E junto com a comemoração é importante a reflexão para não cometermos erros passados que nos levaram a lugares incompatíveis à nossa tradição.

Daniel Cohen - daniel.cohen@sempreflu.com


 
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