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Flu Campeão Brasileiro 1970

Revista Placar , 25 / 12/ 1970

Teixeira Heizer

O FLU É O CAMPEÃO DO BRASIL

Foi sofrimento, foi medo, foi alegria. Foi uma festa de mais de 100 000 torcedores debaixo do temporal (mas naquele caldeirão de paixão ninguém sentia a chuva). O Atlético lutou, valorizou o título do Fluminense que foi um timaço decidido a vencer – e andou perto disso. Pela noite adentro, a festa continuou com muita cerveja, muitos abraços e gritos. Uma festa muito legal.
Faixa atravessada no peito nu, lágrimas nos olhos, Denilson exibia orgulhosamente a Taça de Prata. Naquele instante ele repetia o gesto que já virou rotina em nosso futebol: mãos erguidas, a taça acima da cabeça.
Mais de 100 mil torcedores tricolores – demonstração de grandeza da torcida – explodiam em festa, contida durante o jogo, disputado palmo a palmo. As faixas agora estavam mais vivas – “Força Flu”; “Pra Frente Maquina”- e outras tantas homenageando seus ídolos, mesmo os ausentes do jogo – Flávio e Samarone – que acabaram arrastados para dentro do campo, para as comemorações.
O time e a torcida sabiam como seria difícil o jogo. Os mineiros muito bem distribuidos por Telê Santana, sufocavam as jogadas do Fluminense no nascedouro, não se deixavam esmagar pelos gritos de “Flu-mi-nen-se”, que nasciam nas arquibancadas.
O Fluminense tinha maior volume de jogo, mas os ataques de surpresa de Vaguinho e seus companheiros entrecortavam os gritos da torcida. Cada nova informação dos altos falantes do Maracanã (mais um gol do Palmeiras) fazia o estádio silenciar.
Só aos 30 minutos o grito de “GOL!”, preso na garganta afinal se libertou. O centro foi de Didi, a cabeçada certeira de Mickey. Agora sim parecia um pandemônio: “Olê. Olá/ o Flumiense ta botando pra quebrar.” No bar das cadeiras o grupo do “Jovem Flu”, com muitos artistas, derrubava dezenas de garrafas de cerveja. Nos bares da arquibancada a lei era seca: não restava uma única garrafa.
O temporal caiu, mas ninguém acreditava que a água fosse parar o Fluminense. Até que no comecinho do segundo tempo, Vaquinho empatou o jogo. A torcida se calou.
- Tomamos um susto, mas queriamos uma grande vitória. Nunca vi tanto Fluminense junto. Por isso parti para frente (Denilson).
O Atlético era o time inteligente de sempre, explorando cada espaço dado pelo adversário, procurando fechar todo seu campo. Quando faltavam cinco minutos para o fim a torcida explodiu “É Campeão/ É Campeão!”. Pouco importava que os altos falantes anunciassem a fácil vitória do Palmeiras. O empate chegava para garantir o título (ganho também com duas sensacionais vitórias: 1x0, sobre o Palmeiras; outro 1 x 0, sobre o cruzeiro).
Favili Neto apita o final do Jogo, o campo é rapidamente invadido. As camisas dos jogadores são tomadas, começa a entrega das faixas aos campeões.
- Pra mim foi o máximo. Depois que vesti a camisa do Flumiense fui campeão carioca, ganhei a taça guanabara, a copa do mundo e a Taça de Prata (Félix aos prantos).
Só tarde da noite a torcida deixou o Maracanã. Foi para sede do clube a pé, comemorando o título em cada bar que encontrou pelo caminho. A festa só terminou na manhã de segunda feira, com os últimos gritos de “Campeão!”.
- Agora é a Libertadores da América. Depois o Mundial de Clubes. Isso já virou rotina para mim (Félix).

Pesquisa – Bruno Scudiere

Proxima edição – Título Carioca de 1971

Bruno Scudiere
Fonte: bruno@scudpromo.com.br

 
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