Nesta página, periodicamente, os torcedores poderão conferir entrevistas exclusivas feitas pela equipe da Sempre Flu com personalidades ligadas ao Fluminense. Não deixe de conferir no final da página as entrevistas anteriores.


Entrevistado: Paulo Mozart
Por: Cezar Motta (07/08/2007)

O EMPRESÁRIO E EXECUTIVO PAULO MOZART, PELA SEGUNDA VEZ CONSECUTIVA, É CANDIDATO A PRESIDIR O FLUMINENSE FUTEBOL CLUBE, COM A PROPOSTA DE SANEAR FINANCEIRAMENTE E DEVOLVER A CREDIBILIDADE AO CLUBE DO CORAÇÃO. PAULO MOZART ESTÁ COM 60 ANOS, NASCEU EM XERÉM, QUANDO O PAI ERA EXECUTIVO DA FÁBRICA NACIONAL DE MOTORES, A FNM, FABRICANTE DO ANTIGO CAMINHÃO CHAMADO DE “FENEMÊ”. MOZART JÁ DIRIGIU EMPRESAS COMO A IBM E A GLOBO.COM. SUGERIMOS A LEITURA TAMBÉM DA ENTREVISTA CONCEDIDA À SEMPREFLU NO DIA 22 DE JULHO DE 2004, E QUE ESTÁ DISPONÍVEL NO LINK “ENTREVISTAS”, NO CANTO ESQUERDO DA PÁGINA INICIAL DA SEMPREFLU. O CANDIDATO É REALISTA EM SUAS PROPOSTAS, E SABE QUE EM APENAS TRÊS ANOS DE MANDATO NÃO SERÁ POSSÍVEL TRANSFORMAR O CLUBE NA POTÊNCIA QUE TODOS SONHAMOS. MAS CONSIDERA VIÁVEL DEIXAR ENCAMINHADO O PROJETO PARA REERGUER O CLUBE, E NÃO SÓ O FUTEBOL: ELE PRETENDE REVITALIZAR A SEDE SOCIAL E ATRAIR DE 12 A 15 MIL NOVOS SÓCIOS. COM A PALAVRA, PAULO MOZART:

SF – PAULO MOZART, VOCÊ É UM EMPRESÁRIO DE SUCESSO E UM PROFISSIONAL BEM SUCEDIDO EM SUA ÁREA DE ATUAÇÃO. VOCÊ VAI DISPUTAR PELA SEGUNDA FEZ A PRESIDÊNCIA DO FLUMINENSE. POR QUÊ A OBSESSÃO EM DIRIGIR O CLUBE, QUANDO SABEMOS QUE ISSO DEVE SER UMA GRANDE FONTE DE ABORRECIMENTOS?
PM – Bom, em primeiro lugar, quero dirigir o Fluminense por vários fatores. Permito-me apenas discordar de sua definição de “obsessão”. Não, não é. Na realidade, é a busca da realização de um sonho, da paixão de uma existência, de muitos e muitos anos. O Fluminense, para mim, transcende como uma paixão, desde que me entendo por gente. E o que me move é a constatação de que esta paixão vive um grande risco em sua existência. E, na verdade, para que o mal triunfe, basta que o bem não faça nada. E eu quero fazer alguma coisa, interromper este ciclo daninho que já há algum tempo vem ameaçando e destruindo o nosso clube.
SF – PAULO, A DÍVIDA DO FLUMINENSE HOJE É ASSUSTADORA, VOCÊ SABE DISSO E TEM OS NÚMEROS. VOCÊ TEM UM PLANO DE GESTÃO E SANEAMENTO FINANCEIRO QUE VEM DA ÚLTIMA ELEIÇÃO. VOCÊ ACREDITA QUE É POSSÍVEL SANEAR O CLUBE APENAS EM UM ÚNICO MANDATO DE TRÊS ANOS?
PM – Excelente a sua pergunta, e a resposta é NÃO! Não, não acho, e mais do que isso, estou seguro de que um mandato definitivamente não soluciona os problemas do Fluminense. Porque a nossa dívida, além de ser alta, volumosa, cresce na atual gestão cerca de 20 por cento ao ano. Tanto a dívida cível quanto a trabalhista, a tributária. Enfim, a verdade é que temos hoje uma total falta de gestão, uma administração caótica. Em algum momento, temos que pôr o trem nos trilhos, dar o primeiro passo de um a caminhada. E nós vamos começar a criar as condições para que os problemas sejam sanados.
SF – PAULO, NÃO SERIA ESTE O MOMENTO IDEAL PARA COMEÇAR A SANEAR O CLUBE, JÁ QUE O FUTEBOL ESTÁ TERCEIRIZADO E É A UNIMED QUEM ARCA COM OS MAIORES GASTOS DO FUTEBOL?
PM – O Fluminense hoje só existe graças ao patrocínio da Unimed. A Unimed entrou em nossas vidas no momento mais crítico da história do Fluminense, em 97 e 98. Desde então, toda vez que surge uma dificuldade, quem nos socorre é a Unimed. Isso não tem que se só reconhecido, como levado em consideração. Por outro lado, a relação hoje na parceria está deteriorada, porque a Unimed é obrigada a interferir nos negócios e nas decisões do clube por nossa própria solicitação. Como empresário, me atrevo a dizer que é uma situação incômoda para a própria Unimed, que não pode estar satisfeita. Existem parâmetros de conduta entre patrocinador e patrocinado que não são respeitados. Seria o caso de sentar com a Unimed e realinhar a relação, que é extremamente favorável para ambos. Mas é preciso corrigir os rumos.
SF – MAS A SITUAÇÃO DO FLU NÃO SERIA TÃO CRÍTICA QUE O CLUBE DEPENDERIA TOTALMENTE DESTA ESPÉCIE DE UTI? SE HOUVESSE UMA RELAÇÃO CONVENCIONAL DE PATROCÍNIO AS PENHORAS JUDICIAIS NÃO LEVARIAM TODA A VERBA DO PATROCÍNIO?
PM – O conceito de UTI está correto. O que está errado é a medicação aplicada ao paciente. Eu entendo que a situação é crítica, mas é um desafio para nós, do Fluminense, e para a Unimed, sentar e reexaminar o quadro, acredito profundamente na criatividade empresarial do Flu e da Unimed para contornar e encontrar caminhos que aliviem as nossas agruras. Do jeito que está, a situação não é correta, e é prejudicial a ambas as partes.
SF – DESDE OS ANOS 70 O FLUMINENSE É MAL GERIDO. HOUVE UM PEQUENO INTERVALO NOS ANOS MANOEL SCHWARTZ, MAS O FLUMINENSE NÃO TEM BONS QUADROS ADMINISTRATIVOS, APENAS ABNEGADOS, E O CAOS AUMENTA POR ISSO. VOCÊ NÃO TEME TER UMA EVENTUAL GESTÃO PREJUDICADA PELA FALTA DE BONS ADMINISTRADORES AO SEU LADO?
PM – No meu plano de gestão, que vem desde 2004 e está apenas sendo atualizado, eu prego uma profissionalização absoluta de todo e qualquer cargo de gestão, à exceção das vice-presidências, porque o estatuto exige que sejam ocupadas por sócios. Mas todo o corpo administrativo tem que ser profissional, com objetivos e metas mensuráveis. O responsável, ou cumpre as metas e até as supera e recebe um bônus, como em toda empresa, ou não atende e é demitido. O Fluminense precisa de um choque de gestão, precisa ser visto como uma empresa, com diferentes unidades de negócio, o futebol, os esportes olímpicos, o clube, cada um com suas metas, soluções e necessidades.
SF – PAULO, AS FINANÇAS DO CLUBE SÃO UMA CAIXA PRETA. AS FONTES DE RECEITA SÃO INSIGNIFICANTES, E MESMO ASSIM NINGUÉM SABE O QUE ENTRA, O QUE SAI, QUEM É PAGO, QUEM NÃO É PAGO, QUAL A SITUAÇÃO REAL DO CLUBE. É POSSÍVEL TOMAR PÉ LOGO NO PRIMEIRO MÊS E COMEÇAR A PAGAR O VENCIDO E O VINCENDO, CONTRATAR BONS EXECUTIVOS?
PM – Na verdade, quando falo em gestão, o conceito inclui tudo isso. Pretendo chamar todos os credores do clube e dizer: olha, eu quero e preciso de uma moratória de 90 dias, para começar a arrumar a casa, a organizar as contas, equacionar a forma de pagamento. A intenção de qualquer credor não é brigar, mas receber o que lhe é devido. Tenho absoluta certeza de que todos me darão um crédito de confiança, um prazo razoável de 90 ou 120 dias. Na realidade, não se trata de reestruturar a administração. O verbo não é esse. Temos, sim, que estruturar, porque hoje não existe nada, é o caos. Hoje, o clube vive de apagar incêndios, e o incêndio prioritário é sempre o último que chega. Não há quem resista a tal falta de planejamento.
SF – O FLUMINENSE ESTARIA HOJE EM CONDIÇÕES DE SE BENEFICIAR DA TIMEMANIA E COMEÇAR A ABATER SUAS VELHAS E IMENSAS DÍVIDAS FISCAIS?
PM – Não! O Fluminense hoje é viciado e vicioso em sonegação fiscal e principalmente em apropriação indébita, e não sou eu quem afirma isso, é o último parecer do Conselho Fiscal. O Fluminense se apropria dos recursos devidos ao INSS, é o que diz o parecer do CF em relação às contas de 2006. Precisaremos de um reordenamento para pleitear a nossa habilitação à Timemania.
SF – SE VOCÊ FOSSE ELEITO EM NOVEMBRO, TOMARIA POSSE EM DEZEMBRO JÁ COM UMA LIBERTADORES PELA FRENTE. COMO SERIA O PLANEJAMENTO PARA FAZER UM PAPEL PELO MENOS DIGNO?
PM – Isso estaria incluído na renegociação global que nós vamos fazer com a Unimed. A Libertadores traz uma exposição de mídia acima do normal. São pouquíssimos clubes das Américas que disputam, e nós teríamos que examinar com a Unimed um suporte especial voltado para a competição. Se nós olharmos a Libertadores apenas como mais uma competição, estaremos fadados ao insucesso. Temos que vê-la e disputá-la como uma oportunidade ímpar. Por exemplo, poderíamos ter uma equipe especial para a disputa. Claro que não estou afirmando que é esta a solução ideal, mas temos que considera-la.
SF – VOCÊ PRETENDE ACABAR COM O CHAMADO CAIXA ÚNICO, PELO QUAL TODAS AS RECEITAS E DESPESAS SÃO UNIFICADAS, OU VAI SEPARAR O ORÇAMENTO DO FUTEBOL DAQUELES DO CLUBE SOCIAL, DOS ESPORTES AMADORES?
PM – Vamos dividir a pergunta em partes, porque não existe caixa único. Na penúltima reunião do conselho, no dia 11 de julho, o vice-presidente financeiro disse que cada vice-presidência tem sua própria caixa dois. Isso está declarado em ata do Conselho Deliberativo! Segundo ele, é para evitar penhoras judiciais eletrônicas, se o dinheiro cair na conta do Fluminense. Por favor, este absurdo, esta ilegalidade, não sou eu quem está dizendo, está declarado em ata, um documento público. Segunda coisa: caixas separados, não, mas administração individualizada de seus recursos específicos, sim. Vamos comparar, por hipótese, com uma grande empresa multinacional: ela tem um caixa único, mas tem unidades de negócio, cada qual com suas próprias receitas e despesas. No caso do clube, as unidades de negócio seriam três: futebol, esportes olímpicos e administração da sede. Cada um administrado de forma absolutamente independente do outro.
SF – NO CASO DA SEDE SOCIAL, TRATA-SE DE UMA SEDE OBSOLETA, DECADENTE. NENHUM SÓCIO PODE ESTAR SATISFEITO COM AQUILO. COMO DINAMIZAR A SEDE, ATRAIR NOVOS SÓCIOS E FONTES DE RECEITA?
PM – Olha, o Flu tem hoje cerca de seis mil sócios, sendo que 48% têm mais de 60 anos. É um clube velho, que não atende às necessidades e anseios de uma comunidade de alta concentração demográfica, como Laranjeiras, Glória, Flamengo, Botafogo, Catete, Cosme Velho, todos de classe média, e que não têm nenhuma opção de lazer nas imediações. Um dos poucos clubes vizinhos, a Hebraica, pensa em se transformar em uma universidade; o Sírio Libanês fechou em 2006. Então, penso em um plano diretor que dê funcionalidade à nossa sede, como acontece, por exemplo, com o Tijuca Tênis, que construiu uma pista de skate e, com isso, conseguiu 1.900 novos sócios. O clube fez uma pesquisa com os jovens da área, Tijuca, Grajaú, Vila Isabel, e descobriu que era uma aspiração da garotada até 16 anos. E quando se atrai um sócio de 10 a 16 anos, vêm junto com eles os pais, que são usuários da sauna, do bar, do cabeleireiro, do restaurante, da academia de ginástica. E o nosso clube não tem oferta de lazer e serviços, está completamente obsoleto. Não tem funcionalidade.
SF – NA ÚLTIMA ELEIÇÃO, VOCÊ ANUNCIAVA UMA BOA E MODERNA SAUNA E UMA UISQUERIA, ONDE O SÓCIO PODERIA TER A SUA HAPPY HOUR COM TEVÊ A CABO ETC.
PM – Isso jamais ocorreu ao sócio do Fluminense, ele não tem esse ambiente lá, nunca foi feito um estudo de funcionalidade. E o Fluminense está a sete minutos de táxi do centro da cidade. Tem grandes empresas bastante próximas. Não é um clube que tenha atrativos para o público feminino jovem, por exemplo, ou de terceira idade. Não tem um cabeleireiro decente. Eu, por exemplo, não posso ir lá almoçar e, antes, fazer uma sauna, cortar o cabelo, mergulhar em uma piscina. Isso é o que um clube deve oferecer ao seu associado. Sem esses serviços, sem o lazer, estamos desperdiçando a chance de ter de 12 a 15 mil sócios contribuintes, e isso é comprovado por estudos. É um clube que fecha as portas em um domingo de sol no fim da tarde, e não fica ninguém lá dentro. Um absurdo, e acontece com o nosso clube, falta planejamento profissional.
SF – O QUE VOCÊ PRETENDE FAZER COM O VELHO ESTÁDIO DAS LARANJEIRAS, JÁ QUE O FUTEBOL NÃO PODE FICAR ALI?
PM – Isso teria que ser submetido a uma análise jurídica profunda, porque o estádio é tombado pelo Patrimônio Histórico, e em três níveis, federal, estadual e municipal. Para qualquer mudança, teríamos que apresentar às três instâncias projetos que não desfigurem o conjunto. O estádio do Fluminense foi o primeiro do Brasil. Não podemos derrubar tudo, acabar com o estádio, mas podemos transformar aquilo em uma arena, por exemplo, para shows musicais, eventos, sem que se desfigure a propriedade tombada.
SF – MAS SERIA PRECISO UM PROJETO NOVO, COM ESTACIONAMENTOS, NOVAS ARQUIBANCADAS, AQUILO ALI NÃO TEM MAIS CONDIÇÕES DE USO...
PM – Você percebeu que eu falei de um plano diretor de funcionalidade? É preciso analisar se um estacionamento subterrâneo ali pode ser feito, o espaço seria suficiente para até dois mil veículos. Cabe um estacionamento vertical, um edifício-garagem? Não sei, é preciso examinar todas as possibilidades. Não podemos improvisar, fazer “puxadinhos”. A nossa sede, que é absolutamente tombada, pode ser objeto de incentivos fiscais às empresas interessadas em investir, com base na Lei Sarney (obs: está em vigor a Lei Rouanet, de incentivos fiscais a empresas que invistam em projetos culturais). Mas tudo isso é difícil, e até impossível, quando se tem uma gestão que é um caos, uma bagunça, como a que existe hoje.
SF – PAULO, EXISTE NO QUADRO SOCIAL DO FLU GENTE CAPACITADA A ASSUMIR VICE-PRESIDÊNCIAS E EMBARCAR EM UM PROJETO MODERNIZADOR DESSA MAGNITUDE?
PM - Eu acredito que dentro do quadro de sócios do Fluminense existe uma oferta de quadros bastante boa. Isso não será problema.
SF – EXISTE UM PROJETO DO GUSTAVO MARINS DE UM CENTRO CULTURAL, UM PRÉDIO MODERNO, QUE MUDARIA A FACHADA DO CLUBE PARA A RUA PINHEIRO MACHADO, QUE ACABARIA COM AQUELE MURO HORROROSO, E AO MESMO TEMPO DOTARIA O CLUBE DE UM MUSEU DE SUA PRÓPRIA HISTÓRIA, UMA SALA DE TROFÉUS, INSTALAÇÕES MODERNAS ETC. VOCÊ COMPRARIA ESSA IDÉIA?
PM – Eu conheço o projeto do Gustavo desde 1998, e o considero uma pérola, uma maravilha. A única ressalva é que seria necessário, como disse, um plano diretor global para o clube, envolvendo toda a sede, e que contemplasse a construção do centro cultural. Mas eu não me atreveria a dizer que ficaria na Pinheiro Machado, ou na Álvaro Chaves, ou nos fundos. A localização exata seria definida pelo plano diretor, por um estudo de arquitetura. Mas que o centro cultural seria uma prioridade, não tenha a menor dúvida. Eu só não aceito que a localização já esteja pré-determinada.
SF – MAS É PRECISO RESOLVER O PROBLEMA DAQUELE MURO HORROROSO...
PM – É, mas aquele muro horroroso é uma dívida do governo para conosco. Nenhuma diretoria nunca cobrou isso, falta vontade política, assim como nunca tivemos o título de 1952 reconhecido como título mundial. Tivemos durante 27 anos na presidência da Fifa o presidente de honra do Fluminense. Estive com o doutor João Havelange, e ele me disse: nunca, em tempo algum, alguém veio até mim pedir o reconhecimento daquele título.
SF – VOLTANDO AO FUTEBOL: O CLUBE NÃO TINHA NENHUMA ESTRUTURA. A UNIMED CRIOU ENTÃO UM EMBRIÃO DE ESTRUTURA, COM COMISSÃO TÉCNICA PERMANENTE (O TÉCNICO ENTRA PRATICAMENTE SOZINHO), E COM O PROJETO DE TRANSFERÊNCIA TAMBÉM DO FUTEBOL PROFISSIONAL PARA XERÉM. VOCÊ MANTERIA O DESENVOLVIMENTO DESSE PROJETO, OU REEXAMINARIA TUDO?
PM – Sim e sim nas duas perguntas. O projeto da Unimed é muito bom e está muito bem intencionado. Agora, na última reunião do Conselho Deliberativo, o vice-presidente geral pediu que fosse apresentado o projeto para o futebol profissional em Xerém, e veio a resposta oficial do clube, pela voz do vice-presidente financeiro: Não existe projeto. Estamos apenas desmatando a área, pondo cercas, e trabalhando de acordo com a disponibilidade financeira. Como não existe disponibilidade financeira, estamos empurrando com a barriga, trata-se de uma burla, um engodo, uma mentira, assim como foi um engodo a promessa de estádio.
SF – NA SUA OPINIÃO, O FLUMINENSE DEVERIA TER PARTICIPADO DA LICITAÇÃO PELO ENGENHÃO?
PM – Sim, é óbvio, ainda que não apresentasse a melhor proposta. Era importante, para zelar pela imagem da instituição. Mudando de um pólo a outro, quero levantar um assunto que parece não ter relação com isso, mas tem: é um absurdo que o Fluminense não apóie para a presidência da Federação de Futebol um candidato tricolor, ex-presidente do Fluminense, como o Francisco Horta. Não quero saber se o candidato do Flu era do Eurico, isso não me interessa. Seria um tricolor na federação, um homem que tem uma história de glórias no Fluminense. Não me importa, não me interessa se tem Eurico, se tem Flamengo, eu quero saber é do Fluminense, o que me importa é que não apoiamos um nome ligado ao Fluminense, deixamos de ter no comando da federação um tricolor. E, por favor, eu e o doutor Francisco Horta não temos qualquer ligação política. É o mesmo caso da licitação do Engenhão: o Fluminense demonstrou que não tem interesse em ter um estádio na cidade.
SF – EU, PARTICULARMENTE, ACHO QUE TODO CLUBE GRANDE TEM QUE TER UM ESTÁDIO, UMA REFERÊNCIA EM SUA CIDADE PARA QUE, QUANDO UM TURISTA PASSASSE, OU MESMO UM TORCEDOR, DISSESSE: “AQUELE ALI É O ESTÁDIO DO FLUMINENSE.
PM – Não tenha dúvida. Isso nos leva a perceber que há uma enorme diferença entre o discurso e a ação. Na eleição passada, ele prometeu e disse que já tinha um projeto, que construiria o estádio. E não só não construiu coisa nenhuma, não só não tinha projeto nenhum, como quando apareceu um estádio pronto, ele decidiu nem disputar.
SF – VOCÊ ACHA VIÁVEL E POSSÍVEL QUE O FLUMINENSE VENHA TER O SEU ESTÁDIO?
PM – Neste momento, não! Quem tem 240 milhões de reais de dívidas vencidas, não pode pensar em construir uma casa. Tem primeiro que se organizar. A não ser que apareça uma oportunidade caída do céu, como foi aquela do Engenhão. Claro que, por hipótese, seria possível à base de parcerias, mas não consigo ver nenhuma possibilidade concreta na minha frente no momento atual.
SF – VOCÊ GOSTARIA DE ACRESCENTAR ALGUMA COISA, ALGUMA MENSAGEM AO SÓCIO E AO TORCEDOR?
PM – Eu só espero que nós não repitamos 2004 nesta eleição. Na ocasião, houve uma séria divisão das oposições. A Tricolor de Coração, minha chapa, é oposição ao atual modelo de gestão há seis anos, temos 15 conselheiros, fazemos uma história de oposição dentro do clube, temos um patrimônio eleitoral demonstrado em 2004, e eu sinceramente gostaria de ver todas as forças unidas. Nós não somos uma dissenção da atual gestão; na nossa chapa não temos nenhum conselheiro eleito pela chapa Roberto Horcades. Gostaria, sim, de ver todos unidos para mudar este estado de coisas. O Fluminense não vai acabar.



 
ENTREVISTAS ANTERIORES:

Peter Siemsen - O ADVOGADO PETER SIEMSEN TEM 40 ANOS, É CASADO, PAI DE UM MENINO DE UM ANO E JÁ À ESPERA DO SEGUNDO FILHO. ADVOGADO DE RENOME, SÓCIO DO MAIOR E MAIS CONCEITUADO ESCRITÓRIO DE ADVOCACIA DO PAÍS COM ESPECIALIZAÇÃO EM PATENTES E PROPRIEDADE INTELECTUAL, MEIO-AMBIENTE E CONTENCIOSOS. PETER ADMINISTRA UM ESCRITÓRIO COM MAIS DE 700 FUNCIONÁRIOS, E SE PROPÕE A SALVAR O FLUMINENSE DO CAMINHO DA DESTRUIÇÃO, A QUE ESTÁ SENDO LEVADO POR SUCESSIVAS E DESASTROSAS ADMINISTRAÇÕES DESDE O FIM DA ERA MANOEL SCHWARTZ, EM 1985. ACREDITA AINDA NA UNIÃO DE TODAS AS OPOSIÇÕES, E BUSCA APOIO DE GRANDES TRICOLORES QUE ESTÃO AFASTADOS DO CLUBE, COM BASE EM SUA PRÓPRIA CREDIBILIDADE PESSOAL. O CANDIDATO PROPÕE A TRANSFORMAÇÃO DO FUTEBOL EM UMA EMPRESA, COM GESTÃO SEPARADA DO CLUBE SOCIAL E DOS ESPORTES OLÍMPICOS; PROMETE SANEAR AS FINANÇAS ARRUINADAS DO FLUMINENSE; PROMETE PARCERIAS E ATÉ MESMO A CONSTRUÇÃO DE UM ESTÁDIO MODERNO E FUNCIONAL; PROMETE GARANTIR O DIREITO DE VOTO A SÓCIOS QUE MORAM EM OUTRAS CIDADES; REVITALIZAR A SEDE SOCIAL; AUMENTAR O QUADRO DE SÓCIOS. ENFIM, TORNAR O FLUMINENSE, DE NOVO, A VANGUARDA DO ESPORTE BRASILEIRO, O MAIOR CLUBE DO BRASIL, QUE FOMOS ATÉ O FINAL DOS ANOS 60. COM VOCÊS, PETER SIEMSEN: - 22/08/2107
Gustavo Marins - Candidato à Presidência do FLUMINENSE - A Sempreflu prossegue com a série de entrevistas com os candidatos à presidência do Fluminense. Desta vez, entrevistamos o quinto nome a se lançar ao desafio de levar o Fluminense ao lugar devido, o de potência do futebol brasileiro, condição que o clube perdeu ao longo dos últimos 20 anos, em um penoso processo de decadência. É Gustavo Marins, 53 anos, biólogo e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz, com doutorado em Epidemiologia pela Universidade Federal do Paraná, casado e com dois filhos tricolores, Luísa, de 15 anos, e Guilherme, de nove. Gustavo é o autor do projeto do Centro Cultural do Fluminense, que inclui um museu com a história do clube na sede das Laranjeiras, projeto que já recebeu o certificado de mérito do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico (Inepac) pela concepção, mas que até hoje não foi executado. Gustavo Marins é também o mais empenhado em viabilizar o projeto de construção de um estádio, uma arena multiuso e um centro de treinamento para o Fluminense, em associação com o Grupo Espírito Santo. O estádio, a arena e o hotel, depois de 30 anos, seriam inteiramente de propriedade do clube - até lá, seriam propriedade do grupo investidor, com o pleno direito de uso pelo clube, que teria 15% do aluguel das lojas, das receitas do hotel, da arena multiuso e do estacionamento, e 100% dos direitos das placas de publicidade a serem afixadas no estádio. Gustavo Marins promete também o saneamento financeiro do clube, a modernização de Xerém, a manutenção de um time forte e competitivo e a formação de um candidato à presidência da Federação de Futebol do Rio de Janeiro que acabe com a Era Caixa d´Água já nas próximas eleições da Ferj. O candidato rejeita o rótulo de "candidato da situação", sob o argumento de que colaborou com a administração David Fischel em nome do clube, com projetos e idéias, mas nunca aceitou qualquer cargo e que sempre discordou dos métodos de gestão e do pensamento pequeno que marcaram a última etapa de mandato do atual presidente. Mas, vamos às propostas e idéias de Gustavo Marins: - 25/08/2004
Paulo Mozart - Candidato a presidência do FLU - A Sempreflu, com o objetivo de manter informados torcedores e sócios do Fluminense, continua com a série de entrevistas com os candidatos à presidência do clube na eleição de novembro próximo, quando poderão votar todos os que, na época, sejam sócios há um ano ou mais. Desta vez, o entrevistado é o mais recente candidato lançado, o experiente executivo Paulo Mozart Gama e Silva, de 57 anos, administrador de empresas e ex-diretor de potências como a IBM e a Globo.com. Mozart, que nasceu em Xerém (por incrível que pareça) em 1947, tem dois filhos e já tinha sido pré-candidato em 2000, quando se reelegeu o atual presidente, David Fischel. Na época, Paulo Mozart não conseguiu formar a chapa com 200 sócios, exigida pelo estatuto, dificuldade que ele garante já ter resolvido – ele informa que já tem mais de 200 sócios dispostos a formar chapa com ele. Tem também um plano diretor para o clube cujas linhas gerais já foram apresentadas em 1999, quando pela primeira vez tentou a candidatura. O plano visa devolver ao Flu a credibilidade perdida por anos de má administração e, num prazo de 10 a 15 anos, transformar o nosso clube novamente em uma potência futebolística e olímpica internacional. Mozart quer transferir todo o futebol do clube para Xerém, que seria totalmente modernizado e equipado por meio de convênios com universidades, clubes europeus e investidores. O velho estádio das Laranjeiras seria transformado em uma arena para shows e para jogos oficiais dos juvenis e juniores do clube. Ele quer ainda atrair mais 10 mil novos sócios para o clube, todas as famílias dos bairros da Glória, Catete, Laranjeiras, Cosme Velho, Botafogo, Flamengo e adjacências. “É um absurdo que tenhamos hoje menos de três mil sócios pagantes. Temos que trazer toda a classe média desses bairros para dentro do clube, como sócios, assim como os executivos que trabalham no Centro, em Botafogo, e que queiram fazer uma sauna, um almoço de negócios ou um happy-hour no clube, que hoje não tem como atender a essas necessidades”, diz Mozart. Vamos à entrevista, lembrando mais uma vez que a Sempreflu não apóia nenhuma candidatura, mas é um espaço aberto para que todos exponham democraticamente suas idéias, em nome do interesse do Fluminense: - 22/07/2004
Roberto Horcades - Candidato a presidência do Fluminense - O cardiologista Roberto Horcades Figueira, de 57 anos, é candidato da situação à presidência do Fluminense. Formado há 34 anos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Horcades é vice-presidente médico do clube desde a primeira posse de Davi Fischel. É pós-graduado em Oxford, na Inglaterra, foi diretor do Hospital de Cardiologia das Laranjeiras durante 10 anos, representante do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro durante a gestão do ministro Adib Jatene (governo FHC), coordenador do SUS no Rio de Janeiro e diretor do Pró-Cardíaco. Dois nomes já estão escolhidos para sua diretoria, caso seja eleito: Júlio Domingues, um dos fundadores da antiga Vanguarda Tricolor, e o atual presidente, David Fischel, como vice-presidente de Finanças. Roberto Horcades foi nadador e tenista pelo Fluminense. "Vou para o sacrifício, porque os três primeiros nomes indicados pela atual diretoria não puderam ou não aceitaram disputar a eleição. Mas estou preparado e tenho um grande grupo de amigos e clientes, advogados e economistas, que vão me ajudar a resolver problemas que persistem, como a dívida e a necessidade de um estádio e um centro de treinamento", diz Horcades. Ele garante que a sede das Laranjeiras irá se tornar um "museu do futebol e da história do clube", e que o Fluminense já tem engatilhado o projeto de construção de um estádio moderno. Garante ainda uma surpresa para aumentar o patrimônio físico do clube e transferir o futebol das Laranjeiras. O doutor Roberto Horcades garante também que seu principal trunfo são as amizades com tricolores influentes e poderosos, todos seus clientes, e que participarão, em regime de mutirão, de um grande projeto para impulsionar o clube. Como sempre, a Sempreflu não emite juízo sobre o candidato e suas idéias. Apenas expõe o que foi dito para o julgamento dos torcedores e dos sócios. Vamos à entrevista: - 09/06/2004
Entrevista com Augusto Ramos, candidato a presidência do Fluminense - O economista e consultor Augusto Ramos, carioca, 61 anos, casado, dois filhos nascidos e vivendo na Suécia, apresenta hoje sua candidatura à presidência do Fluminense para as eleições de novembro deste ano. Augusto viveu na Suécia de 1971 a 1998. Foi para lá exilado pela ditadura militar aos 29 anos. Formou-se em Economia e depois foi professor da Universidade de Lund, na Suécia, onde ainda vivem seus filhos Márcio e Augusto, participantes eventuais do Fala Tricolor, da Sempreflu. Voltou em 1998 porque, segundo ele, não resistiu à agonia de ver o clube na terceira divisão. Montou uma empresa de consultoria econômica para empresas escandinavas no Brasil, a Image Diction. O lançamento da candidatura vai ser no Centro Empresarial Botafogo, na Praia de Botafogo, perto da Fundação Getúlio Vargas. Ele vai apresentar seu programa de gestão para o Flu, com ênfase na construção de uma arena multiuso(Foto) no Recreio dos Bandeirantes e na transformação do Vale das Laranjeiras, em Xerém, em um centro internacional de pesquisas esportivas, fisiológicas e de ação social. É a segunda candidatura lançada para as próximas eleições. A primeira foi a do presidente da Bolsa de Gêneros Alimentícios e ex-membro do Triunvirato Tricolor, José de Souza, a quem entrevistamos no ano passado. A Sempreflu repete o que disse na ocasião: não apóia nenhuma candidatura, e todas as afirmações do entrevistado são de inteira responsabilidade dele. Nosso compromisso com os tricolores é dar aqui espaço igual para todos os que se apresentem como candidatos a dirigir o Flu, para que apresentem suas idéias e planos de gestão. Com vocês, Augusto Ramos: - 22/03/2004
Entrevista com José de Souza, Candidato a presidência do Fluminense. - A Sempre Flu não tem compromisso com qualquer candidatura ou grupo político do Fluminense. Nosso compromisso é exclusivamente com um Fluminense forte e vencedor, como era a tradição do nosso clube, e com a nossa torcida. Como defendemos a associação em massa dos torcedores ao clube, acreditamos que todo tricolor que tiver chance ou poder aquisitivo deve se tornar sócio, queremos também esclarecer e debater idéias. Respeitamos também o direito de quem não quer se associar, de quem prefere limitar-se a ser um torcedor de arquibancada e até apenas de televisão ou rádio. Mas como achamos que o Fluminense tem que ser rediscutido, debatido, estamos abrindo espaço para TODOS os candidatos que se lançarem à presidência do clube. A intenção é informar nossos amigos da Sempre Flu. Repetimos: não apoiamos nenhum candidato. A série começa com o primeiro candidato a se lançar formalmente, o empresário atacadista de alimentos José de Souza, presidente da Bolsa de Gêneros Alimentícios do Rio de Janeiro. Ele se apresenta como o candidato dos ex-presidentes Silvio Kelly dos Santos e Sylvio Vasconcellos, além de João Havelange. Mas garante que planeja um futebol forte, com a contratação de Leão ou Vanderlei Luxemburgo no primeiro ano de mandato. Garante ainda ter a fórmula para sanear as finanças do clube e construir uma arena multiuso onde hoje existe o campo de futebol, com cinco mil lugares, além de um prédio de 18 andares, com quadras de tênis, piscinas aquecidas, shopping, lojas, estacionamento, hotel e restaurante panorâmico. A sede histórica seria preservada, pela beleza e por exigência legal. José de Souza garante que: “se o Fluminense for rebaixado, o presidente David Fischel não emplaca o ano de 2004 como presidente. Ele cai junto com o clube". - 25/09/2003
Assis e Whashington - A rápida e informal entrevista se deu após o almoço promovido pela Sabedoria Tricolor, que homenageou os três eternos craques do Fluzão. A realização deste evento, é bom que se diga, se deveu à grande dedicação do conselheiro Philippe Von Buren, que se esmerou em conseguir um t empo nas agendas de todos, principalmente na do Assis, para comparecerem à homenagem que se realizou em julho passado. - 01/07/2002
Robertinho - Foram mais de duas horas. Um longo e agradável papo em sua aconchegante residência, na Barra da Tijuca. Ele e sua família me receberam muito bem. Fizeram questão, inclusive, de me servir algo para beber. Durante a entrevista, o nosso ex-técnico Robertinho mostrou ter qualidades humanas, às vezes raras em sua profissão, tais como ética, sinceridade e transparência. Ele sabe que ainda tem uma longa trajetória como treinador. Robertinho já recebeu propostas de times da Série A, B e até do exterior, devendo estar num novo clube em breve, mas seu grande sonho é voltar para o Fluminense, seu clube de coração, um dia. Leia a seguir a entrevista que foi feita, de acordo com o entrevistado, exclusivamente para a Sempre Flu. - 03/09/2002
Ézio - Daniel Cohen - 27/02/2002
Roni - 13/09/1999
David Fischel - A Sempre Flu agradece ao Presidente David Fischel por nos conceder esta entrevista. - 23/06/1999
Samarone - 01/01/1998
 
  


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