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Só Mesmo Pela Paixão... (07/06/2018)

A realidade bateu à nossa porta, e de forma cruel. A zona do rebaixamento, aos poucos, vai chegar pertinho de nós; os timecos lá de baixo começaram a fazer pontos, como o Vitória e até o Ceará.

Não é só o elenco com poucas opções. Poucas vezes vi um técnico sabotar tanto o próprio time como o Abel.

É um paradoxo o Abelão porque, ao mesmo tempo em que faz merdas a valer, ele também segura a onda; os jogadores correm por ele, mesmo com salários atrasados e sem perspectiva de pagamento. Mas vá escalar e ler mal o jogo assim lá na Cidade de Deus!

Esse Marlon, pobre rapaz, tem medo da bola, não acerta uma jogada sequer, coloca-se mal em campo e não marca ninguém. Um zero.

O Robinho é odioso, o sujeito entra em campo aos 10 minutos do segundo tempo e já chega cansado, de má vontade, andando em campo, fingindo que corre. Não entendo a insistência com ele - talvez para preservar o investimento absurdo.

O Departamento Médico (?) do Fluminense também parece uma terra de ninguém. Todo mundo sabia que Marcos Júnior tinha sentido a coxa. Pois permitem que ele vá a campo contra o Paraná. Resultado: com sete minutos de jogo, ele pediu penico.

Todos nós lemos nos jornais e sites tricolores que o Pablo Dyego estava com problemas na coluna, dores nas costas. Pois deixam que ele entre em campo no Fla-Flu. Com o primeiro tombo, nosso velocista é obrigado a sair, depois de duas ou três boas jogadas.

Não adianta nada um centro de treinamento sem trabalho de excelência, com perebas e incompetentes na retaguarda. Sem equipamento de primeira linha.

Posso até estar sendo leviano, mas é isso o que vemos no resultado do trabalho. O Flu passou um mês jogando uma vez por semana, e os jogadores estão desmontando! Jogadores jovens com lesões musculares, problema de coluna.

Eu sou ateu desde menino, mas fui educado em uma família católica, dentro do princípio cristão e humanista de que não se deve odiar ninguém. Mas ao longo de 90 minutos do Fla-Flu (e do Flu e Paraná) eu odiei profundamente o Abel, o Marlon, todo o Departamento Médico do Fluminense, o presidente do Fluminense.

Enfim, todos os canalhas que têm cargos no clube. Que transformaram o Flu em um cabide de empregos entre amigos e estão destruindo a nossa paixão. Odiei até, sem razão, os pobres rapazes que jogam no Flu sem estar à altura da nossa camisa. Eles não têm culpa.

Odeio hoje também o gênio que optou pelo Marlon, em vez do Mascarenhas. Nunca entendi por que o Fluminense fez tanto esforço para contratar o Marlon, o Renato Chaves, o Robinho. Vamos recordar o que aconteceu:

1) Marlon: O Fluminense fez, em 2016, três partidas seguidas contra o Criciúma. Duas pela Copa do Brasil e, no meio, uma pelo Campeonato Brasileiro. E o clube cismou com o Marlon. Passou o ano inteiro tentando contratá-lo, e quando Abel chegou em lugar de Levir Cuspe, insistiu: quero o Marlon.

Pergunto: por quê? Eu e meu filho mais novo (e mais os gatos pingados torcedores do Fluminense que foram ao jogo) passamos 90 minutos no Mané Garrancho xingando o odiando profundamente o Marlon. Ele tinha um corredor pela frente até à linha de fundo.

E o que fazia? Tinha medo da bola. Temia ser driblado. Recuava a bola para o Luan Peres, o Douglas, ou quem estivesse mais perto. Ruim de bola, lento, pouco inteligente e errático. Lamento por ele, um bom rapaz, mas não é jogador para o Fluminense.

Falhou nos dois gols. O mapa da mina do Urubu era ele. Fez um pênalti idiota e falhou de forma grotesca no segundo gol. Uma lástima. Não sei se teria vaga hoje no Criciúma. Mas joga no Flu...

2) Renato Chaves: o Fluminense também lutou para contratar o Renato Chaves à Ponte Preta no final de 2015. Um esforço danado, negociações, o cacete. Acabamos pagando não sei quanto por ele.

Foi tanto esforço que resolvi, em dezembro de 2015, assistir às reprises dos jogos da Ponte Preta no Brasileirão, para conferir se ele era mesmo esse gênio da grande área que merecesse tanto esforço.

Robinho? Melhor não falar desse rapaz, que parece depressivo, com uma preguiça atávica, um desinteresse profundo pela própria carreira.

E constatei: alguém no Fluminense estava maluco. O cara que eu vi na Ponte, o nosso Renato Chaves, era horroroso, lento, desengonçado, sem coordenação...e ruim de bola.

A explicação está clara na minha cabeça: o gênio que indica esses caras é o Marcelo Teixeira. Tanto Marlon quanto Renato Chaves jogaram na seleção brasileira sub-20.

E o Teixeira criou a imagem, entre os flusócios, de que é um sábio. Uma espécie de Jurgen Klopp sulamericano, capaz de ver talento onde ninguém mais vê. Trabalhou no Manchester United como "observador na América do Sul!".

Um descobridor de craques, um iluminado! Nos tempos horcadianos, quando os flusócios eram oposição, Marcelo Teixeira já era o escolhido pelo grupo como futuro o diretor remunerado de futebol.

Eu confesso que também caí nessa...

E sim, ele, o Marcelo Teixeira, já teve poder antes no clube, como em 2006, quando indicou craques como Evando (sim, sem o R), Rissut, Cláudio Pitbul etc. Um desastre.

A partir de 2007, Celso Barros resolveu não mais entregar o dinheiro à diretoria do clube, por causa das penhoras e do uso do ervanário na área “social”. A grana sumia. Celso passou a aplicar diretamente no futebol, pagando aos jogadores pelo direito de imagem.

Como era necessário um contrato registrado na CBF, o clube fazia o documento e pagava em carteira mais ou menos 20% dos rendimentos. Os 80% principais ficavam por conta da Unimed, e a coisa começou a funcionar bem em 2007. Ganhamos a Copa do Brasil naquele ano. Infelizmente, a festa acabou em 2012.

E agora tudo é obscuro no Fluminense, desde Pinóquio Siemsen. Como errou essa figura! Como era irresponsável, omisso, covarde, leviano!

É este o drama do Fluminense, não temos quadros (a definição do velho Partido Comunista Brasileiro para gente capacitada e que milite em um partido).

E agora temos isto que está aí. A coisa se encaixou bem com Abel Braga, porque ele segura a onda do futebol. É um líder respeitado, tem amigos entre “os caras da mídia”, e pode errar à vontade. Tornou-se um biombo para uma diretoria inepta e abúlica.

Minha ira está especialmente acesa porque escrevo ao chegar do horroroso Mané Garrancho, onde fomos humilhados sob todos os pontos de vista no Fla-Flu.

Tiro meu chapéu simbólico e homenageio jogadores como Júlio César, Gilberto, Gum, Luan Peres, Richard, Douglas, Jadson, Pablo Dyego e Mateus Alessandro.

Esses caras suaram a camisa, deram o melhor de si. Mas o técnico queria perder o jogo. E aí, amigos, é impossível vencer. O juiz e os bandeiras nos assaltaram, claro, mas isso é sempre esperado.

Douglas é um grande jogador, estilo clássico, é uma pena que tenha limitações físicas por causa da tal artrose. Joga fácil, não erra passes.

Depois do jogo, um quadrúpede do Sportv, microfone em punho, perguntou ao Gum: “Vocês ficaram assustados com tantos torcedores do Flamengo?”, ou alguma imbecilidade semelhante.

Por um instante, achei que o Gum fosse lhe dar uma bolacha, ou xingá-lo.

Imaginem, Gum assustado com torcida do Flamengo! Mas o nosso capitão é um homem sério, profissional e educado. Fulminou o canalha com o olhar e mandou uma resposta burocrática.

Coragem, amigos! Ainda bem que o campeonato vai parar por causa da Copa do Mundo. Mas temo também pelo retorno, com os salários ainda mais atrasados, a falta de ritmo e a esculhambação institucional que é o Fluminense.

A camisa é pesada, mas há limites...

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