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Coelho Neto, Marcos E Paulo Sérgio Valle (26/04/2018)

Torcer pelo Fluminense nos dias atuais é como ser mãe na versão de um grande tricolor e poeta, Coelho Neto, em seus versos: “Ser mãe é padecer no paraíso...é ter um mundo e não ter nada”. Não temos tranquilidade para curtir uma bela vitória como a de domingo, nem especular sobre a qualidade dos reforços.

Vivemos como o camponês guerrilheiro da bela e extemporânea “Viola Enluarada”, de outros grandes tricolores, os irmãos Marcos e Paulo Sérgio Valle (quem não conhece, ao Google, por favor, vale a pena): “Quem tem de noite a companheira, sabe que a paz é passageira...”.

O momento do time é bom, mas carregado de angústias, porque sabemos que a paz é passageira. Segundo as previsões de dois meses atrás, o dinheiro acabou. Parece que o mês de março ainda não foi pago aos profissionais, a Udinese não aceitou jogadores como pagamento da dívida por Marquinho e a dívida com o Maraca aumenta.

Não há fluxo de caixa para cumprir as obrigações, que aumentam em ritmo geométrico, exponencial. Agora, descobrimos que a tal Valle Express está atrasando o repasse da verba de patrocínio, como acontecia com aquele picareta do Mate Vitton e com a tal fornecedora de material canadense.

Ah, como seria bom falar só de futebol, dos jogadores, das expectativas com Luan Peres, Dodi e até João Carlos, que tem muito potencial. Não temos paz e nem tranquilidade para isso. Sabemos que, ali adiante, vai dar merda.

Uma das grandes humilhações que senti como torcedor do Flu foi ouvir os jogadores, em janeiro, dizerem que “não queremos passar o inferno que foi isso aqui no ano passado”. Até Abel falou nisso, condicionou sua permanência a salários em dia etc.

Quase caímos por causa de atrasos salariais, e o prejuízo sofrido pelo clube com a perda de Gustavo Scarpa de graça foi terrível. E logo um clube falido, tão falido quanto vendedor de camisinhas em asilo de velhos. Somam-se a perda da audiência com Levir Culpi e o dinheiro jogado fora com a compra e posterior doação de Diego Souza.

Nem clube rico faz isso. Dos ricos, que eu me lembre, só o Barcelona, que teve até o presidente Sandro Rosell em cana, por roubo ao clube durante a negociação com o Santos por Neymar. É impossível imaginar uma coisa assim no Brasil – a prisão, não a roubalheira.

Atenção: não acredito que alguém na direção do Fluminense roube o clube, não é isso que estou afirmando. Eu me refiro a gestão temerária, decisões absurdas, omissões, incompetência, despreparo para o cargo. Eu acho que o ex-presidente Peter Siemsen tem que ser responsabilizado civilmente pelos enormes danos que causou ao clube.

Siemsen era omisso, arrogante, negligente, centralizador, e deixou uma herança maldita, depois de receber luvas por renovação de contrato com a Globo e vender bem jogadores como Gerson e Kenedy.

Traiu a esperança de milhares de tricolores que confiavam e votaram nele, mesmo com o time fazendo uma triste campanha, em 2013, e que resultou em rebaixamento. Por seu legado de caos, mereceria um processo judicial com base no Código Civil e também na Lei Pelé. O dirigente tem que pagar com seu patrimônio pelos danos que causou.

Não é privilégio do Fluminense. Vasco, São Paulo, e Sport também estiveram envolvidos com diretorias estranhas. A do Flu, tenho certeza, não teve irregularidades para beneficiar alguém. Foi pura incompetência.

E ficamos nós deste jeito, esperando a crise com o elenco irromper agora, quando o time começa a se ajeitar. Como ocorreu no ano passado, depois de um bom primeiro semestre.

Infelizmente, nem dá pra curtir o bom momento.

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