Colunistas -

O Galã De Novela Mexicana (03/04/2018)

O pior jogador do Fluminense é Renato Chaves, zagueiro preferido de Abel, e que joga pela direita. Graças a ele, perdemos dois campeonatos cariocas seguidos. Na entrevista da segunda-feira, então, ouvimos Paulo Autuori dizer que “o Fluminense busca um zagueiro canhoto”.

Ou seja, para Abel e para Autuori, quem deve ser barrado é Ibañez, e não Renato Chaves, responsável por derrotas absurdas. Ibañez é destro, mas adaptou-se perfeitamente ao lado esquerdo da área, e está longe de ser problema. Já Renato Chaves é muito mais do que problema: é desastre anunciado.

Alguém pode argumentar que Abel e Autuori querem alguém para a reserva de Ibañez. Pois eu acho que é muito mais importante que chegue alguém para ocupar a vaga de Renato Chaves, que vai nos levar ao rebaixamento.

Se não bastassem a gestão temerária e inepta, que desperdiça milhões de um clube já falido, a falta de dois ou três jogadores mais qualificados, os erros do nosso técnico, ainda temos que aturar essas entrevistas absurdas.

A impressão que Autuori transmite é a de absoluto tédio, desinteresse, aborrecimento. Para ele, deve ser terrível aturar o Fluminense, apenas um meio de engordar a poupança para a aposentadoria que se aproxima. Ele e o presidente, juntos, são o oposto do que se espera em um clube de futebol.

Ouvi-los é ter vontade de desistir do Fluminense, pela constatação de que a energia vital do clube acabou, morreu. Não é possível acompanhar futebol em companhia tão fúnebre, justamente de quem deveria liderar, apontar rumos, transmitir confiança.

O discurso é vazio e sem vida como um pronunciamento da Carmen Lúcia, aborrecido como um programa do André Trigueiro sobre meio ambiente. A nossa torcida, esperta, já matou a charada: Autuori e Abel são prestigiados porque servem de escudo para a diretoria.

A chamada “mídia esportiva” gosta deles, porque adora um discurso empolado e vazio, no caso de Autuori, e de um técnico boa praça e malandro, que toma “um gelo” com eles, como Abel. Tudo bem, eu respeito Abel, tenho boas lembranças dele como técnico.

Mas não dá para relevar tantos erros, tantas opções erradas. Não consigo deixar de pensar na entrevista do zagueiro Henrique, doado de forma lesiva e irresponsável ao Curintcha. Disse ele que a realidade é completamente diferente lá, o time treina exaustivamente, todo mundo marca, há variações de jogadas.

No Fluminense, os erros se repetem nos jogos, os jovens têm defeitos técnicos que ninguém corrige, o sistema de jogo é o mesmo em quaisquer circunstâncias, sem variações. Terminamos todas as partidas encurralados, tomando pressão.

Ninguém sabe chutar em gol ou cruzar corretamente uma bola. Pedro e os laterais falam linguagem diferente na hora dos cruzamentos – e isso deveria ser treinado sempre. Enfim, todo mundo sabe onde a porca deveria torcer o rabo.

Estamos em plena terceira pré-temporada do ano. Mais uma eliminação, mais dinheiro atirado à lata de lixo, e mais dez ou doze dias para treinar e corrigir problemas. Ou reforçar pontualmente o time.

Em vez disso, aturamos mais uma entrevista soporífera do galã de novelas mexicanas.

-


 
Desculpe, não há artigos no momento.
  


Copyright (c) 1998-2018 Sempre Flu - Todos os direitos reservados