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Um Velho E Abandonado Cemitério índio (01/04/2018)

Lendo por alto o noticiário sobre as decisões de campeonato pelo país, é impossível evitar a melancolia e a amargura de constatar que o ano acabou para nós, tricolores, em março, e que foi destruído um dos nossos prazeres de final de semana, ver o Flu jogar.

Depois, me vem a lembrança de uma frase de David Fischel em 2003, quando brigávamos para não cair até a penúltima rodada, com Romário no time. Fischel, que foi um bom presidente, disse algo como “é bom brigar para não cair, porque a emoção vai até o fim do ano”.

Como se fosse um consolo, sofrer até dezembro... Neste ano, este 2018 que promete, talvez nosso sofrimento não seja tão grande, porque a direção do Flu parece já ter programado tudo. Sabendo de antemão que vamos cair, talvez soframos menos.

O sujeito é tão incompetente e apático que precisa se cercar de gente remunerada (possivelmente muito bem remunerada) para executar as tarefas que seriam dele, como presidente. É assessor político, técnico, administrativo, esportivo.

Em alguns casos, apenas cabides de emprego.

Sei que alguns amigos ligados à gestão vão me acusar: “É uma crítica política!”. Claro que é política! Quando meus direitos de cidadão são atingidos ou violados, minha saída é política, é me opor, criticar pesado e votar contra o governo que me oprime ou me usurpa!

O que está acontecendo é exatamente isso: estou sendo usurpado e violentado em meus direitos de tricolor, uma paixão sem remédio de mais de 60 anos. Uma condição mais forte até do que a de brasileiro, porque fui eu mesmo que a escolhi na infância.

Minha paixão foi sequestrada por aventureiros incompetentes e aproveitadores. Eu não escolhi nascer brasileiro, mas escolhi ser tricolor. Pago um título de sócio-contribuinte, ainda que não use o clube e nem saiba para que exatamente estou contribuindo.

Vejo hoje o time, as coisas em volta do Fluminense, o noticiário, o presidente, e não reconheço neles nem por um segundo o meu Fluminense da infância, da adolescência, da idade madura. O Fluminense do início da minha velhice nada tem a ver com aquele clube amado, odiado e temido que conheci.

É um clube, hoje, ainda odiado, mas muito mais motivo de deboche, de calúnias ou pior, de dolorosa indiferença. Nossa torcida só não vai sumir do mapa porque há crianças que se tornaram tricolores pela influência dos pais e vão crescer com essa paixão. Mas o Fluminense não é mais assunto na mídia.

As calamidades administrativas cometidas nos últimos anos (e nos últimos meses) já teriam resultado na derrubada dos incompetentes (ou mal-intencionados), se ainda tivéssemos relevância como clube. Imaginem, perder audiência trabalhista milionária à revelia!

Perder de graça o jogador mais valioso do elenco! Fazer rescisões contratuais humilhantes com jogadores que têm mercado, e ter que pagá-los, até o último centavo, em um prazo mais curto de tempo! Ser roubados sistematicamente em clássicos regionais!

Fazer fortuna com venda de jovens revelações, receber luvas milionárias de contrato com a Globo e jogar o dinheiro no lixo! Quem essa gente pensa que é? Com que direito estão destruindo o Fluminense? O que esperam receber em troca?

Abrir mão do dinheiro da revenda de um jogador valioso, registrando em contrato, ou em e-mail, sei lá, que aceita uma esmola de R$ 1 milhão apenas! O que há por trás disso, apenas incompetência?

Abrir mão de um estádio já em negociação e demitir o autor do projeto, apenas pela vaidade de não ter a “autoridade” contestada? Que gente é essa? Onde estão as forças vivas do clube, que não tomam uma providência? Ou só há forças mortas no clube hoje?

Agora, noticia-se que o Real Madrid quer levar, de graça, por empréstimo, dois jogadores da base. E parece que vai levar. De graça.

Enchem a boca para alardear a construção do CT. Que é obra exclusiva do dirigente que enxotaram de forma humilhante porque queria construir o estádio.

Puseram o Pedro Antônio para correr, e a obra do CT parou, tornou-se um canteiro de obras inacabadas. O Fluminense hoje é isso, paralisia, incompetência, abandono, ostracismo.

Um velho cemitério índio abandonado, de onde saem apenas fantasmas para assombrar quem chega perto, como num filme B de terror norte-americano, daqueles bem ruins.

E o pior: ao final deste pastiche, as contas atuais provavelmente serão aprovadas, como foram as de Pinóquio Siemsen e as de Horcades.

Se é que o clube vai sobreviver a esta gestão.

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