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O ódio Está Vencendo (05/03/2018)

Estou de volta a este espaço. Andei desanimado demais para escrever sobre Fluminense, com tantos problemas dentro e fora de campo. Obrigado aos administradores, Cláudio e Júnior, pela paciência.

A fase tricolor é, de fato, ruim. Na situação e na oposição. A torcida tem sempre que ser respeitada, mas parte dela também se deixou levar pelo ódio que impera hoje nas Laranjeiras. O ódio que nasceu e cresceu na campanha política de 2016 não morreu após ela. Ao contrário, foi semeado, cultivado e incentivado. E hoje, amigos, o ódio está vencendo, infelizmente. Será que o ódio entre tricolores ajuda o Fluminense?

Eu estou desgostoso da política do Fluminense e pretendo deixá-la, muito em breve. A política, bem entendido. Jamais vou desistir do Fluminense. Apoiei e apoio Pedro Abad, e não sairei enquanto ele estiver lá. Depois, não garanto. Não falo em deixar a Flusócio, apenas. Se eu mudar de ideia e decidir permanecer na política, ficarei na Flusócio que, para mim, ainda é um porto seguro de pessoas que querem ajudar o clube sem interesse pessoal algum. Sei bem que isso soa estranho aos ouvidos de muitos tricolores, mas é o meu sentimento sincero. Embora, claro, erros tenham sido cometidos.

Minha desilusão é com a política tricolor, de modo geral.

O que temos visto é a cultura do “quanto pior melhor”. Logo após o pleito de 2016 ficou claro que a oposição, com o apoio canino de seus blogs e sites de estimação, adestrados, tinha o objetivo de fazer a gestão sangrar por três anos, com fofoquinhas e maledicências todos os dias, sem descanso. O problema é que o Fluminense sangraria junto.

Logo no início da gestão Abad, durante o campeonato estadual, quando até tivemos a ilusão de que o ano poderia ser bom, isso ficou muito claro. Vitórias heroicas como do Fla-Flu, final da Taça Guanabara, eram atribuídas cuidadosamente a Abel e aos jogadores. As derrotas eram jogadas no colo de Abad e Flusócio. Assim é fácil ser oposição, não? Já sofremos com a hipocrisia de parte da imprensa esportiva contra o Fluminense. Temos que lidar com hipocrisia interna também?

Não vou negar erros da gestão, especialmente nos casos “ingressos para organizadas”, Levir e Scarpa. Foram erros graves e lamentáveis. O Fluminense, porém, precisa de paz para sair dessa situação difícil. Não vai ser com pessoas dentro do clube - talvez até dentro da gestão – tentando derrubar o presidente antes do fim do mandato que essa paz virá. E sem paz não há um trabalho que possa ser feito para recuperar o Fluminense, financeiramente.

Sim, financeiramente. O problema maior do Fluminense hoje, amigos, é dinheiro. Dinheiro esse que está jorrando no maior rival. E há tricolores preocupados em ofender outros tricolores nas redes sociais. Alguém acreditava que o clube passaria incólume pela saída da Unimed? Perdemos um patrocinador forte justamente no momento em que a televisão decidiu decidir quem teria muito dinheiro e quem teria menos dinheiro no futebol brasileiro. Culpar o ex-presidente Peter (e Abad, como seu presidente do Conselho Fiscal), não chega a ser injusto, mas é simplista demais! Ouço algumas pessoas dizerem: “Peter acabou com o Fluminense”. Sério? Acabou? Como assim? Em primeiro lugar, o Fluminense não acabou nem vai acabar. Acreditar que um único presidente acabaria com a instituição de 115 anos de glórias soa tão ingênuo, que dá a impressão de ser simplesmente falso, hipócrita. Peter, porém, tem sua parcela de culpa na atual situação difícil. Oposicionistas, não se orgulhem ainda, seu maior líder, Mário Bittencourt, também tem várias digitais suas impressas nos desmandos acontecidos após a era Unimed. Basta vermos alguns contratos que ele renovou. Draconianos para o Fluminense, espetaculares para os jogadores.

Minha opinião sobre Peter: fez um excelente primeiro mandato, com a fundamental reforma de Xerém, a criação da sala de troféus, a organização das dívidas – atenção! Organização. Não significa que ele pagou -, criação do Sócio-Futebol com direito a voto e muitas outras boas ações. Pareceu-me esgotado ao final, sem vontade de continuar, mas ainda assim decidiu se candidatar à reeleição. Começou mal demais o segundo mandato, a ponto de a própria Flusócio publicar o post Vada a Bordo, no início de 2014. Depois ele deu a impressão de que retomaria seu rumo, mas aí a Unimed resolveu sair. Foi aí que o castelo ruiu. O grande erro de Peter foi, na minha opinião, fazer de conta que a patrocinadora não tinha saído. Fizemos contratos longos com jogadores caríssimos que, na realidade, não tínhamos condições de manter. Alguns deles renovados com cláusulas absurdas de gatilhos e aumentos automáticos. Nessa, meus amigos, doa a quem doer, Peter e Mário Bittencourt estão abraçados.

Depois, Peter e Mário Bittencourt tornaram-se inimigos. Peter continuou seu desastrado segundo mandato quase sozinho no futebol, mas dando carta branca e confiança cega a executivos, como Jorge Macedo. Algumas ações de 2016 foram inacreditáveis. Muitos não acreditam que Flusócio e Abad só vieram a saber delas em 2017. É difícil mesmo de acreditar, principalmente considerando a função que Abad tinha no clube, na época, mas ao menos com relação a mim e à Flusócio eu posso responder sem medo de engano, que não sabíamos mesmo. Abad diz que também não sabia e acredito nele.

Podemos culpar A, B ou C, mas o que importa para o Fluminense, o maior prejudicado de tudo isso, é que foram adquiridas obrigações financeiras pesadíssimas para cumprimento em 2017 sem a contrapartida em receitas. Um legado cruel para o sucessor.

O Fluminense precisa de paz para ter um ano ao menos digno de suas tradições, no futebol, mas não é o que a oposição quer. Não me refiro aos torcedores que não gostam da gestão. Esses estão em seu direito. Ninguém é obrigado a gostar de gestão alguma e quando a bola não entra, sempre dá vontade de descarregar a raiva em alguém. O pior, na minha opinião, são os que semeam o ódio diariamente, com fofoquinhas nos blogs e sites de estimação e nas redes sociais, os que orquestram protestos e ofensas, mesmo nas vitórias, por motivos meramente políticos.

O Fluminense precisa de trabalho e de paz, mas no momento o ódio está vencendo.

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