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Balanço E Previsões (13/12/2017)

Fico aqui imaginando com meus botões, zipers e fechos éclair a repercussão entre as torcidas do Flamengo, do Vasco, do Parmêra do Curíntcha ou do São Paulo de uma eventual entrevista de seus presidentes no tom da que concedeu Pedro Abad à revista Época.

Estendo a conjectura aos torcedores do Galo, do Inter ou do Grêmio, para falar apenas das mais apaixonadas. Seria algo próximo do apocalipse. De uma forma ou de outra, todos esses clubes fizeram ajustes fiscais rigorosos, à exceção do Parmêra, que recebeu de presente uma Unimed vitaminada, a Crefisa, na pessoa de um Celso Barros de saias e com mais dinheiro disponível, a tal dona Leila.

Nenhuma dessas torcidas aceitaria que seu clube fosse tratado publicamente como uma quitanda em liquidação e em recuperação judicial (como se chama agora a antiga Lei de Falências). Todos esses clubes, repito, passaram por ajustes e fases ruins. Mas jamais descuidaram da formação de seus times e nem se apresentaram às torcidas como um brechó.

Sem paixão, sem alma.

Sim, alguns dos grandes caíram para a Segundona, como o Inter, por uma incrível incompetência na gestão do futebol, contratações caríssimas e erradas, como o velho, milionário e pilantra meia Anderson (ex-Grêmio) e insistência em técnicos ruins, como Argel Fucks – coisas que acontecem de vez em quando.

O Fluminense começou este ano surpreendendo a todos nós. Um time azeitado, com Richarlison e Wellington Silva voando pelas pontas, Dourado metendo gols e pênaltis cavados pelos nossos velozes ponteiros, Douglas e Wendel jogando tudo o que sonhávamos, e Scarpa com futebol de seleção brasileira. Tanto que foi convocado por Tite.

Completavam o time Sornoza jogando bem e Orejuela ainda com vontade de trabalhar. Fomos roubados como sempre na final do Carioca e perdemos o título para o time “escolhido” da vez – se não fosse o Flamengo, seria o Vasco. Mas entramos no Brasileirão e na Copa do Brasil confiantes.

Scarpa quebrou o pé, logo foi a vez de Sornoza, Wellington Silva foi até Bordeaux e voltou com o púbis (intersecção do adutor com o abdômen) inflamado, Douglas começou a sentir dores crônicas incapacitantes e Wendel deslumbrou-se. Abel perdeu o filho e, ainda que com esforço sobre-humano, não foi mais o mesmo.

Para completar, nosso melhor atacante foi embora baratíssimo, o Richarlison. O time se desmontou e perdeu a “alma”, alardeada por Abel no início do ano. E aí vieram os atrasados salariais crônicos e as declarações absurdas do tal Fernando Veiga, do Torres e do Abad.

Só vamos lutar para não cair, o Flu hoje tem orçamento menor do que o Atlético-GO, temos que nos conformar, nossos jogadores são apenas “ativos voláteis”, não podemos pagar mais do que 20 mil de salários etc. Dos caraminguás da venda de Richarlison, sete milhões foram pagos por Robinho, que tem características diferentes. Um desperdício.

Instalou-se de vez a política de atrasar três meses de salários, pagar com a venda de um jogador e deixar atrasar mais três meses. O problema é que acabaram-se os jogadores com mercado, e os três meses ameaçam virar quatro.

Sim, a diretoria errou a distribuir ingressos para torcidas organizadas, estando em vigor um termo de ajustamento de conduta com o Ministério Público. Foi também uma sacanagem com o sócio-futebol que ameaça desacreditar todo o programa. Mas há exagero e um algum sensacionalismo na prisão dos funcionários do Flu e na condução coercitiva de Pedro Abad.

Se o presidente tiver que cair, que não seja por isso, mas por incapacidade de conduzir um clube do tamanho do Fluminense.

Quanto ao próximo ano, a base que temos é Cavalieri, Wellington Silva, Gum, Reginaldo, Marlon ou Giovanni, Richard, Douglas, Sornoza, Scarpa, Wellington ou Robinho e Dourado. Mateus Alessandro e Marcos Calazans, aos poucos, devem ser titulares nesse time, cada um em uma das pontas. A não ser que venham os troca-trocas.

Sob o comando preguiçoso e estático de Abel, é time para não ganhar títulos e chegar ao Brasileirão em meio de tabela.

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