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Paulo Autuori (08/12/2017)

A nossa rreporrrtagem teve acesso exclusivo à conversa preliminar entre o vice-presidente de futebol do Fluminense e o treinador Paulo Autuori, cogitado para o cargo de gerente. Eis a transcrição:

-- Tudo bem, Autuori? Estamos pensando em contar com os seus serviços profissionais no Fluminense e queríamos discutir as condições.

-- Mas vocês não decidiram que o Abel Braga vai ficar até o final do contrato?

-- Sim, o Abel fica, mas nós pensamos no seu nome para o lugar do Alexandre Torres, que foi demitido na terça-feira.

-- Hum, entendi. E o que fazia o Alexandre Torres no Flu?

-- Nada.

-- Ué, não entendi. Vocês querem me contratar para fazer nada? Qual era a função do Torres?

-- Nenhuma. Na verdade, Paulo, não sabemos direito o que faz um gerente de futebol. Você vai descobrir com a gente o que precisa ser feito pra melhorar aquela draga.

-- Mas vocês devem saber que eu tenho criticado duramente os técnicos de futebol do Brasil, acho todos acomodados, sem criatividade e o nosso futebol anda muito feio.

-- Deixa isso com o Abel e finge que não vê. Nosso objetivo é ficar na primeira divisão.

-- Mas vocês querem me pagar um salário alto para não fazer nada?

-- Não se preocupe. O mês no Fluminense tem 90 dias ou mais. Não sai caro para o clube.

-- Mas vocês sabem que eu quero me mudar de volta para o Rio porque minha mãezinha está doente e eu preciso ficar perto dela.

-- Leve a velhinha para o CT e para Xerém, quando for preciso. Tem muita gente à toa por lá e que pode cuidar dela.

Brincadeiras à parte, não sei se o Paulo Autuori é uma boa. Como técnico, seria uma furada. Pernóstico e empolado, metido a intelectual, não tem empatia com os jogadores, é o oposto do Abel. Receio que os dois batam de frente, pelas diferenças de concepção em relação a tudo.

Em 2007, depois de uma derrota para o Atlético Mineiro, Autuori largou o Cruzeiro no meio do campeonato e do contrato. Depois do jogo, explicou: "Vou falar rápido e breve, chamei a direção e falei que sou profissional e pessoa com vergonha na cara. Por dignidade se tiver de fazer o jogo de domingo vou fazer, mas ganhando ou não o título não vou continuar e coloquei de forma clara para a direção", afirmou Paulo Autuori, no vestiário do Mineirão, em 29 de abril de 2007, ao justificar sua decisão de deixar o cargo de treinador do Cruzeiro.

Ninguém entendeu direito, mas todos acharam que ele considerou que o time fez corpo mole naquela partida.

Em julho de 2013, o treinador também largou o Vasco no meio do campeonato porque os salários do elenco estavam atrasados. A passagem de Paulo Autuori pelo Vasco durou três meses. Foram 11 jogos, com apenas quatro vitórias, dois empates e cinco derrotas. O aproveitamento, de 42%, foi inferior ao seu antecessor, Gaúcho, que treinou o Vasco apenas no Carioca e conquistou 52% dos pontos. O treinador foi para o São Paulo.

Se prestarmos atenção nos motivos das duas demissões, veremos que a atitude do técnico foi elogiável em ambos os casos. Saiu contrariado com falta de profissionalismo dos jogadores, do Cruzeiro, e da diretoria, no caso do Vasco. Pensando bem, talvez ele trouxesse um pouco de profissionalismo e seriedade ao Flu.

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