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Valquir Pimentel Vem Aí? (05/12/2017)

Deve ser efeito desta fase em que o futebol entra de férias e dá lugar aos boatos e plantações de empresários de jogadores. Mas todas as manhãs, abro um jornal imaginário (ninguém mais lê jornal de papel) e tenho a sensação de que vou ler sobre o retorno de Valquir Pimentel ao Fluminense.

De novo, para a turma mais jovem que não conheceu, e para os velhotes que não se lembram: Valquir era um juiz de futebol aposentado dos anos 80, que sempre roubava para o Vasco, e que nos anos 90, a nossa década perdida, encostou-se no Fluminense como diretor de futebol, com carta branca para comprar e vender.

Primeiro, Valquir assumiu o cargo na gestão do então presidente Ângelo Chaves, em 1990. Na ocasião, até torcemos por ele, Valquir, porque o outro responsável pelo futebol, um tal Francisco Aguiar, queria acabar com o Fluminense. Tentou muito e quase conseguiu. Mais tarde, Valquir retornou com o presidente Gil Carneiro de Mendonça.

Gil, como já contei aqui, tomou posse em 1996 e não sabia o que fazer com o futebol do Fluminense. Ele detestava esse negócio barulhento, que envolve povo, gente pobre e negra. Como não tinha poder para acabar com a farra, chamou de volta Valquir Pimentel e deu-lhe carta branca para fazer seus negócios em nome do clube.

Gil Carneiro de Mendonça renunciou e o Fluminense foi rebaixado à Segunda Divisão pela primeira vez.

E por que todo dia tenho a impressão de que Valquir vai voltar? É que estamos na mesma situação de 1996, o futebol do Fluminense está acéfalo, alguém precisa tomar conta, planejar, arranjar dinheiro, pagar salários, contratar e dispensar jogadores.

Nosso dinâmico gerente de futebol, o Alexandre Torres (que conviveu com Valquir em 1990 e chegou a liderar movimento de jogadores contra atrasos de salários), anunciou que o Flu está negociando com jogadores experientes e veteranos. No ritmo do Torres, os experientes vão largar o futebol antes de ser contratados.

Deve ser o tal método de gestão moderna, compartilhada – todos compartilham a incompetência. Vamos de novo para os três meses de atraso de salários, com débitos ainda referentes às férias e décimo-terceiro do ano passado com alguns profissionais. E sem qualquer perspectiva de pagamento e nem de décimo-terceiro.

Como na política brasileira, para o Fluminense 2017 é um ano que não acaba. Ao abrir o meu jornal matinal imaginário, tenho medo do que vou ler, além da volta do Valquir. Henrique, Dourado e Scarpa estão à mercê das “forças do mercado”. Não sou eu quem me navega, quem me navega é o mar, diria o genial poeta vascaíno Paulinho da Viola.

A última novidade é que os jogadores já estão pensando em se recusar a viajar ao torneio de Orlando, como protesto pelos atrasos salariais. Sem dinheiro, não dá nem para comer um cachorro quente ou uma coxa de peru com um chope na Disney.

Sim, alguém tem que fazer alguma coisa, se mexer, e os jogadores pensam em tomar eles a iniciativa. O Curintcha, cheio de dinheiro da CBF pelo título, e cheio de dinheiro público pela Arena Lulla, conhece nossos métodos, e já se oferece para levar o Henrique – desde que o Flu pague metade dos salários, claro...

Abel Braga quer escolher jogadores no mercado para trocas, o que leva o torcedor do Fluminense a pensar em desistir do futebol ou acompanhar a Premier League. Nas redes sociais, a turma prefere debater a queda do vice-presidente jurídico, trocar ofensas com os pitbuls que cercam a diretoria ou analisar a mudança no marketing do clube.

Enquanto Valquir Pimentel não volta, o que nos resta é torcer pelo Independiente de Avellaneda, que não anda muito bem das pernas.

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