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Alívio, Finalmente, Mas Restam Dúvidas... (06/11/2017)

Acabou a agonia. Não acredito que o time de Abel vá repetir a incrível façanha de 2005, quando faltavam cinco rodadas e nós precisávamos apenas de um ponto, um mísero empate, para garantir a vaga na Libertadores. E não conseguimos. Foram cinco derrotas seguidas, inclusive em casa, com direito a uma surra de 5 a 0 para o Fortaleza.

Mas algumas coisas pairam no ar e nos deixam com minhocas na cabeça. Por exemplo, o que significa “ninguém sabe as dificuldades internas por que passamos durante o ano”? A frase não é exatamente essa, mas algo parecido foi dito pelo próprio Abel Braga, por Marcos Júnior, por Gustavo Scarpa e por Henrique Dourado.

Seriam salários atrasados? Crises de relacionamento, entre o elenco ou com a diretoria? O abandono a que parecem ter sido submetidos Abel e os jogadores durante toda a temporada? Difícil saber agora, e é melhor nem mexer nisso, enquanto há até chances de pré-Libertadores (eu acredito). Um dia saberemos.

Mas é inevitável pensar, por exemplo, no caso do Wellington Silva. Na primeira partida do returno, contra o Santos, ele tinha voltado do Bordeaux frustrado com o fracasso da transferência. Os franceses alegaram que o problema das dores no púbis era crônico. Ele simplesmente olhou o jogo dentro de campo.

Eu cheguei a achar que ele estava fazendo corpo-mole, arrastando-se em campo como protesto contra alguma coisa. Dali para cá, não jogou mais nada. Nenhum drible, nenhuma arrancada, simplesmente olhando adversários passaram a centímetros dele com a bola sem que ele esboçasse qualquer reação.

A inflamação no púbis acontece na interseção do músculo adutor da coxa com a musculatura abdominal. O troço inflama, como está claro, e dói quando se corre, quando se faz qualquer esforço maior com as pernas. Chama-se dor pubiana porque a impressão que dá é que ocorre atrás da região genital.

O remédio é fisioterapia, antiinflamatórios e repouso, muito repouso. Há ainda a possibilidade, menos comum, de um “avanço” do osso ilíaco, o que causa um desequilíbrio e a decorrente inflamação. Não estou chutando, quem quiser confirmar pode ir ao google e digitar “dores pubianas”.

Pode ser também o caso de uma perna muito mais curta do que a outra. Corrige-se com palmilha ortopédica. Não há casos de cirurgia pra corrigir isso. É fisioterapia e repouso. E o Fluminense, em tese, tem um dos melhores fisioterapeutas esportivos do país, Nilton Petrone, o Filé.

Qual é então o problema com o Wellington Silva? Por que insistir em pô-lo no banco e em campo, ainda que por pouco tempo? Não é melhor tratar definitivamente da coisa? Por que o Abel falou em cirurgia?

Ou há outra coisa por trás disso tudo? Prefiro achar que não, e que quando os caras se referem aos “problemas” que enfrentaram, estariam falando das várias lesões e cirurgias, da perda do Richarlison (oitenta por cento do nosso ataque) e da juventude do time.

Por enquanto, o negócio é torcer por, pelo menos, três vitórias e dois empates, ou até mesmo quatro vitórias – é difícil, sim, mas não é impossível. Isso nos levaria à pré-Libertadores, ultrapassando Vasco, Flamengo e Botafogo.

E aí vem o outro problema, de ordem estrutural. Teremos time para encarar uma pré-Libertadores sem fazer vexame? É preciso lembrar (será que se lembram no clube?) que quanto melhor a colocação no Brasileirão deste ano, maior será o prêmio da CBF.

O campeão e o vice, por exemplo, vão embolsar uma bolada que vai garantir o décimo-terceiro salário. Ou seja, não vale a pena entrar no campeonato apenas para não cair...

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