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Rumo Ao Abismo (01/10/2017)

Rebaixamento mais do que anunciado. Um baque em nossa sofrida torcida, na maltratada instituição, que sofrerá um desgaste de difícil cura muito difícil, e festa entre a tigrada da “imprensa” esportiva. Um jogo que poderia ser vencido, contra um Grêmio desmontado, lento e preguiçoso.

Mas com jogadores como Lucas, Frazan, Leo, Orejuela e Marcos Júnior em campo, além de uma diretoria que provoca sono e desgosto, nenhum time consegue sobreviver, por mais pesada que seja a camisa. Eu duvido até que o nosso pobre Fluminense conseguisse hoje chegar entre os quatro primeiros da segunda divisão.

A única coisa boa no jogo foi a volta em grande estilo de Diego Cavalieri, ainda um dos melhores goleiros do Brasil. Mas é incompreensível que continuem no time (de novo) o Lucas, o Frazan, o Leo e o Orejuela.

Entre o nosso “meio-campo
“ (ridículo, mais uma vez) e a nossa “defesa” (um pesadelo), há um espaço maior do que aquela área na Amazônia que o Michel Temer e o Moreira Franco queriam entregar à mineração. Como a defesa é muito ruim, somos um convite eterno aos atacantes e meias adversários.

Gostaria muito de saber o que quis dizer o Abel Braga com a frase “os que falam aí de fora não sabem 50% do que passamos aqui dentro”. Será que os salários continuam atrasados? Mas vamos deixar um pouco de lado essa perebada sem sangue e sem alma e voltar um pouco ao passado.

Quando leio os sites de nossos torcedores, a impressão que dá é que sempre tivemos timaços ao longo da história. Menos, amigos, muito menos. Acompanho o Flu como torcedor desde 1956, e posso garantir: pouquíssimas vezes tivemos timaços.

Tínhamos, sim, bons times, sempre com pontos fracos, e nossas diretorias, desde o vice de futebol Carlos Nascimento (que vendeu Didi ao Botafogo por duas mariolas), sempre detestaram os craques que demos a sorte de conseguir e que se tornaram ídolos. Eram logo despachados.

Didi veio de Campos, como Pinheiro e, no Rio, começou a namorar a bela mulata Guiomar, que tinha um relacionamento com o casado compositor Ary Barroso, o compositor de “Aquarela do Brasil”. Tomou Guiomar de Ary, que compôs “Risque”, para curar a dor-de-cotovelo.

Os ídolos que foram surgindo ao longo dos anos eram logo vendidos baratinho. Carlos Alberto Torres para o Santos, Evaldo (também de Campos) para o Cruzeiro de Tostão & Cia; Samarone, Flávio e Lula foram devidamente despachados, e os dois últimos brilharam no Inter de Batista, Carpegiani e Falcão.

Francisco Horta doou a Flamengo, Vasco e Botafogo jogadores como Marco Antônio, Toninho Baiano, Abel, Manfrini, Mário Sérgio, Paulo César Caju, e se livrou também de Dirceu, Doval etc. E por aí vai.

O time que participou do Fla-Flu que teve o maior público entre jogos de futebol entre clubes no mundo, zero a zero em 1963, tinha uma defesa sólida: Castilho; Carlos Alberto, Procópio, Dari (Altair) e Nonô (Altair), protegidos por Denilson e Oldair. Mas o ataque era ruim demais. Edinho, Manoel, Ubiraci e Escurinho.

Fomos campeões no ano seguinte, mas o time não era nenhuma maravilha. Em 1965, tive o desprazer de ver um ataque com gente como o centro-avante paraibano Moraes (era louro, atarracado, e diziam que era de família rica, os donos das Casas da Borracha). Não sei, o fato é que era muuuito ruim.

Até 1969, sofremos muito. Só neste ano, o ano do AI-5, conseguimos formar um timaço: Félix; Oliveira, Galhardo, Assis e Marco Antônio; Denilson e Didi Beija-Flor; Cafuringa(Wilton), Samarone (Cláudio Garcia), Flávio e Lula. Fomos logo campeões estaduais e brasileiros.

Em 1975 e 1976, fomos bicampeões cariocas com as máquinas de Francisco Horta, que se preocupava mais consigo mesmo e com as manchetes que conseguia do que com o time. Por isso, nesses dois anos não passamos das semifinais do Brasileirão, apesar de, em tese, termos o melhor elenco do país.

Acontece que o Inter de Porto Alegre também tinha um timaço, montado por Rubens Minelli. Só que era um time de força, de competição, de marcação duríssima, muitíssimo bem treinado, o primeiro time brasileiro a marcar por pressão e sufocar os adversários. Não tínhamos técnico. E não conseguimos batê-los.´

Só fomos formar outro timaço em 83/84/85, um time capaz de vencer uma Libertadores, pelo estilo de jogo, semelhante ao do Inter de 75/76. Mas nunca tivemos essa ambição, sempre pensamos pequeno. Veio um palhaço, acompanhado de um idiota, e desmontou o time, doando nossos melhores jogadores.

Depois disso, só em 2008, com aquele time que perdeu injustamente a Libertadores. Os times campeões brasileiros de 2010 e 2012 eram excelentes, mas não eram timaços. Nos demais anos, não mencionados, não tivemos times de destaque. Eram timinhos, embora muitos fossem vencedores.

Hoje, somos o time grande, dentre os 12 brasileiros, mais desmoralizado e em pior situação. Saneamento financeiro? Quá! Nem a Velhinha de Taubaté acredita, as dívidas estão é aumentando.

Abel terá mais de uma semana para tentar consertar essa draga. Será que sairemos dessa?

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