Colunistas -

A "ode Ao Ódio" Nas Redes Sociais (22/06/2017)

Quando garoto, eu acreditava que, apenas pelo fato de ser tricolor, a pessoa já era, naturalmente, diferenciada. Que os tricolores eram pessoas melhores. Claro que a vida logo me mostrou que não era bem assim, muito antes do surgimento das redes sociais. Mas as redes sociais potencializam sobremaneira a dura realidade. Há tricolores de todos os tipos. Desde os mais educados e elegantes (maioria, graças a Deus) até os que parecem usar esses canais como se uma latrina fosse (minoria, porém barulhenta. Precisam do barulho, aliás, para tentar se impor).

Pelo que temos visto nessas redes, a campanha de 2016, do Fluminense, ainda não terminou. E, ao que parece, a de 2019 começou precocemente. A cultura ao ódio permanece. Igual ou pior ao que vimos no ano passado.

Aparentemente, há uma intenção – que não é de todos, mas de alguns que estão bem empenhados nisso - de minar a atual gestão (há seis meses no poder) a qualquer preço, mesmo que o Fluminense pague esse preço.

O momento financeiro é difícil para todos os clubes, exceto para os que têm fontes de renda privilegiada. Casos de Flamengo, Corinthians e Palmeiras. O Fluminense está precisando com urgência enxugar sua folha, mantendo um time de garotos que, no entanto, não pode ser chamado de fraco. Há jogadores de grande qualidade no elenco. Alguns se machucaram, lamentavelmente, tornando a situação ainda mais difícil, mas eu acredito que é possível uma recuperação e ainda uma boa campanha. Mas o ódio é cultuado na internet. Todos os dias. Absolutamente todos os dias. Sem trégua. Não posso afirmar, mas realmente passa a impressão de algo pensado, planejado.

Uma verdadeira “ode ao ódio”.

Não entendam que eu esteja considerando qualquer crítica como apologia ao ódio. Não é isso. Nem todas são assim. Mas o leitor atento deve saber distinguir uma da outra e entender o que estou dizendo.

Talvez nunca uma gestão tenha sido tão cobrada, tão cedo. Será que todas essas pessoas que ficam emitindo posts cheios de ira, diuturnamente, estão mesmo pensando só no Fluminense? Ou haveria outros interesses? Será que novembro de 2019 já está aí?

Às vezes não é só nas redes. Todo aquele ódio virtual materializou-se tristemente na sessão do Conselho Deliberativo para aprovação de contas da gestão anterior. Aquilo foi inacreditável! O Salão Nobre do Fluminense foi ultrajado. A sessão foi transformada num carnaval, com torcida uniformizada, vaias, palavras de ordem gritadas a plenos pulmões, voto duplicado (pessoas com os dois braços levantados), desrespeito ao presidente da Mesa e até ofensas graves dirigidas a quem votou a favor. Que vergonha!

Foi um fato isolado? No clube, quase isso. Nas redes, o carnaval do ódio continua. Qualquer pronunciamento do presidente é ridicularizado. É feito deboche contra qualquer post emitido pela Flusócio, o principal grupo de apoio da atual gestão, como provavelmente farão também com este, ainda que eu esteja, como sempre, falando apenas em meu nome.

Tentam separar o “trigo do trigo”. As vitórias são obra e graça de Abel e dos garotos, o que até acho justo. As derrotas são de responsabilidade exclusiva da gestão, principalmente da Flusócio. Assim é fácil ser oposição, não?

Quanto ódio! Um ódio que, eu acrescentaria, é absolutamente injustificado. A Flusócio é “acusada” principalmente por ter sido parte das gestões Peter que, sim, tiveram seus erros, especialmente no último ano, mas que deixou o Fluminense com estrutura impensável em 2010. Com CT, clube na Europa e Xerém inteiramente reformado e bombando atletas de bom nível, o que está sendo absolutamente fundamental nos dias de hoje. É importante lembrar que a reforma total de Xerém, mérito de Fernando Simone e de Marcelo Teixeira, principalmente, foram bandeiras de campanha da Flusócio e obtiveram dela apoio irrestrito.

Os partidários da “Ode ao Ódio” gostam de chamar a Flusócio de câncer e de outros termos ainda mais agressivos. É fácil perceber que querem, a qualquer custo, incutir isso na cabeça do tricolor fora da política. Criar uma falsa imagem, de algo que esteja sendo nocivo ao Fluminense. Até conseguem, com alguns. Mas o torcedor, em geral, não é tolo. Ele percebe quando a crítica tem conteúdo apenas destrutivo.

Às vezes dá vontade de desistir. De achar que, com uma oposição assim, apoiada até por um certo site, totalmente nocivo, o Fluminense não teria jeito. Mas aí eu vejo um post como o publicado hoje pelo Marcelo Teixeira. Vejo os comentários positivos de tricolores que nada têm a ver com a política do clube. Aí a esperança volta, implacável! O Fluminense tem jeito, sim senhor. Só precisa de muito trabalho.

Como eu já disse antes, alternância no poder é algo saudável e necessário. Só não pode ser a qualquer custo. Por isso, torço pelo surgimento de uma oposição séria, com ideais e capacidade para conduzir nosso clube para patamares acima. E que o assuma, de fato, um dia. Porém, jamais essa oposição que está aí, destilando ódio nas redes todos os dias, que parece escrever rangendo os dentes de tanta raiva. Essa não. Essa eu espero que fique para todo o sempre muito distante do poder no Fluminense. De ódio o Fluminense não precisa. O Fluminense precisa, mais uma vez, de muito trabalho. E de união.

Nos últimos anos, o sócio do Fluminense e o torcedor em geral, souberam entender que não é 0 ódio que vai ajudar o Fluminense. Rejeitaram, com seu voto, os apregoadores de tantas ofensas, tantas baixarias. Que continuem assim.

Uma pena, que tudo isso aconteça. Um momento difícil em que o Fluminense precisava da união de todos os tricolores.

Que tal começarmos a campanha de 2019 em 2019? O Fluminense agradeceria.

-


 
Desculpe, não há artigos no momento.
  


Copyright (c) 1998-2018 Sempre Flu - Todos os direitos reservados