Colunistas -

Viva O Fluminense! (27/04/2017)

O título deste texto não começa com uma interjeição de saudação. O verbo viver está no imperativo. Viva, no sentido de viver o nosso clube. Viva o Fluminense. Seja um cidadão tricolor.

Ninguém é mais tricolor que ninguém, mas é óbvio que há formas diferentes de um torcedor se relacionar com o clube. Duas formas, na verdade: ser um mero torcedor, com pouca ou nenhuma participação, ou ser alguém que vive o Fluminense e ajuda o Fluminense a ser cada vez mais forte.

Futebol é lazer, não é obrigação. Ponto. Um tricolor tem todo o direito de apenas torcer pela tv, em bares, com mais segurança e conforto, sem qualquer ônus. Tem o direito de optar por não ser sócio, exceto se obtiver grande contrapartida. Esse torcedor está em seu direito e não deve ser criticado. Registre-se apenas que, com esse comportamento, ele não ajuda seu clube. Nem tem essa obrigação, para sermos justos.

Mas este texto é para exaltar o outro tipo de torcedor do Fluminense. O tricolor que vive e respira Fluminense. O torcedor que vai aos jogos, mesmo em horário ruim, pois ele não espera que o Fluminense se encaixe no seu horário. Ele adapta seu horário aos dos jogos do Fluminense. Adapta sua vida toda, na verdade. Ele vai aos jogos, mesmo em estádios mais distantes. Ele não se importa em sacrificar-se pelo clube que ama. Esse torcedor é sócio do Fluminense sem exigir grande coisa em troca. Uma prioridade para ver os jogos já é uma boa contrapartida. Ele não quer nada do Fluminense, apenas vitórias no futebol. É sócio, principalmente, para participar da vida política do clube, votar no presidente. Viver o Fluminense. E assim, ajudar o Fluminense. Ser, enfim, um Cidadão Tricolor.

Foi esse tipo de torcedor que manteve o clube como grande quando tudo indicava que ele desceria de patamar, no final do século passado. Foi ele quem defendeu o seu clube nas ruas naquelas inúmeras difamações sórdidas da mídia, em 1997, 2001, 2013 e tantas outras. É ele quem se mobiliza, contribui com dinheiro para festas da torcida, faz os melhores mosaicos do Brasil. É ele quem se decepciona por ver que embora haja muitos como ele, poderiam ser muito mais.

Esse torcedor que vive o Fluminense, jamais, em hipótese alguma, compra produtos não licenciados, que lucram com a marca do clube de forma ilegal. Esse tipo de torcedor sequer admite a possibilidade de um filho seu fugir à luta e debandar para outras torcidas. Filho de tricolor tem que ser tricolor. Um torcedor desse tipo respeita e apoia as empresas que fazem parcerias com o clube.

O torcedor que vive o Fluminense, pode criticar o clube internamente, mas não nas redes sociais, não em público. Vejam o exemplo dos tricolores famosos, do meio artístico. Lembro dos anos sombrios do nosso clube e consigo diferenciar claramente os que eram e ainda são engajados com o Fluminense e os que são mais distantes. Frases como “o Fluminense era um clube que existia no Rio” (Jô Soares) e “não acompanho mais o Fluminense” (Chico Buarque) nunca teriam vez na garganta de um Ivan Lins ou de um Evandro Mesquita, para citar apenas dois.

Amigos, o Fluminense passa por dificuldades financeiras ao passo que seu rival Flamengo vem nadando em dinheiro, beneficiado pela absurda e cruel divisão de cotas de tv. O Fluminense precisa muito de seu torcedor. Há pessoas trabalhando séria e honestamente pelo clube. Hoje nós temos um presidente que sempre viveu Fluminense e respirou Fluminense. Um presidente com a nossa cara. Juntos podemos fazer muitas coisas boas por nosso clube.

Como já dito, cada um tem o seu direito inalienável de ficar do lado que quiser. Vivendo o clube ou apenas usufruindo dele como um passatempo. Mas vêm-me à mente as três perguntas que Renato Russo faz na canção “Descobrimento do Brasil”:

Quem está agora a seu lado?
Quem para sempre está?
Quem para sempre estará?

-


 
Desculpe, não há artigos no momento.
  


Copyright (c) 1998-2018 Sempre Flu - Todos os direitos reservados