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Boa Sorte, Abad! (30/11/2016)

O texto abaixo foi escrito na segunda-feira, dia 28 de novembro, para ser publicado na terça. Não publiquei em respeito às vítimas da lamentável tragédia aérea na Colômbia. Desejo muita luz para os que se foram e muita força para seus amigos e familiares, que terão que conviver com essa dor.

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Aeroporto de Congonhas. Sexta-feira, 25 de novembro. Voo de 16h40. Voaria para o Rio para finalmente ver tudo aquilo acabar. Não via a hora. A campanha, convenhamos, não foi legal. Lembrou até a política nacional em alguns momentos. Mas estávamos próximos de saber, finalmente, o nome do próximo presidente do Fluminense.

Eu estava tenso. Embora todas as pesquisas apontassem para a vitória do meu candidato, Pedro Abad, estávamos brigando contra uma chapa com muitos recursos financeiros. Mas chegar ao Rio é sempre bom e à noite eu consegui relaxar um pouco, no encontro com os correligionários na Praça São Salvador (foto), com participação inclusive do nosso candidato. Mas todos precisavam dormir cedo. O dia seguinte seria cheio, cansativo e tenso.

Diferente do meu padrão habitual, não fiquei hospedado em Niterói. Dessa vez, fiquei no hotel Scorial, Largo do Machado. Próximo do clube. Gosto muito do café da manhã dali e o meu foi farto. Fiz questão que fosse assim. Sabia que no restante do dia não haveria muito tempo para refeições.

Parti para a sede. A chegada à rua Álvaro Chaves teria me assustado se eu já não esperasse por aquilo. Centenas de militantes da chapa que era a segunda nas pesquisas. Um painel enorme diante do clube, faixas, bandeiras e cartazes. Ainda nem tinha visto o carro de som, que só chegaria depois.

Embora a campanha tenha sido por vezes lamentável, como já dito, o dia eleitoral no Fluminense costuma ser bem legal. Sempre curti. Mesmo aqueles que demonstraram muito ódio nas redes sociais, me receberam com um abraço. Ficou claro que nem todos transferiram toda aquela animosidade do mundo virtual para o real.

Gostei da organização. O clube se preparou bem para o maior colégio eleitoral da nossa história. Embora a fila estivesse grande, ela fluía com facilidade. Votei rapidamente e desci. No corredor, diante da escada do salão nobre, havia jornalistas atuando na pesquisa da boca de urna. Consegui ver que Abad já estava na frente. Um alívio. Lembrei-me, com esperança, que nunca vi uma virada na boca de urna em eleições no Fluminense. Mas essa era uma eleição diferente, supostamente. Um colégio eleitoral muito maior. E para grande alegria da gente que brigou por aquilo, repleto de torcedores. Que bom que a campanha pela Cidadania Tricolor, luta antiga da Flusócio e de outros grupos mais ligados ao futebol, tenha dado resultado.

Voltei ao aglomerado em frente à entrada social, onde todas as chapas buscavam angariar a simpatia dos sócios que chegavam. Muito sol e calor. E o “paulista” aqui de calça comprida, incômodo que só resolvi no meio da tarde, numa fugida rápida até o hotel.

Assim foi, por todo o dia. A diferença na boca de urna só aumentava. Circulavam boatos de que os dois adversários poderiam se unir, o que nunca se confirmou. A militância da chapa de Mário Bittencourt cantava alto lá fora, indiferente às evidências. Durante a tarde os grupos de apoio à situação trocavam mensagens questionando-se se já podíamos considerar a vitória certa. Por volta das 16h30 ninguém mais tinha dúvida da vitória de Abad.

A votação terminou e iniciaram-se as contagens. Bem mais demoradas do que se esperava. Circulava a informação de que uma das chapas seria impugnada. Outro boato que nunca se confirmou. Já com a noite caindo, Marcus Vinicius Bittencourt anunciou os números finais, que confirmavam a vitória de Pedro Abad, como o presidente mais votado da história do Fluminense em números absolutos.

Como eu disse a alguns correligionários, só vamos saber, de fato, se vencemos, em 2019, após os três anos de mandato, se a torcida aprovar o trabalho executado até lá. Por enquanto, ganhamos nada mais que uma eleição.

Já falei antes, mas por questão de justiça, não posso deixar de ratificar: a campanha fora do clube não foi legal. O dia da votação até foi, pois pessoalmente as pessoas se respeitam um pouco mais. Mas o que se viu ao longo dos últimos meses foi uma campanha vil de difamação contra a Flusócio. Vou até parar por aqui. Tinha muito mais a falar, mas não vai acrescentar nada neste momento. Agora é tentar pacificar e unir o clube. Vou apenas repetir o que tenho escrito nas redes sociais: Ódio não ganha eleição. O sócio do Fluminense mostrou que não gosta de ódio, ofensas nas redes sociais, e-mails vazados e que tais. Ele preferiu, em sua grande maioria, Pedro Abad, justamente o candidato que pertence ao grupo que foi mais atacado nos últimos meses.

A Flusócio apoiou a situação nos dois últimos mandatos, mas esteve longe de comandar, efetivamente, o clube. Agora, chega pela primeira vez ao poder com um candidato próprio no cargo máximo de liderança. Um dia ela sairá e voltará à oposição, através do voto dos sócios. A alternância no poder é saudável e necessária. Só acho que ela acontecerá através da competência, não do ódio.

Quero dizer que aqueles que apoiaram Mário ou Celso por realmente acreditarem que eram opções melhores para o nosso clube, têm integralmente o meu respeito. Quem fez campanha pela oposição sem ódio, sem revanchismo, merece o meu abraço e a torcida para que permaneçam na luta pelo que acreditam. Perder eleição não é nenhuma vergonha. Nós perdemos duas antes de ganhar três. Mas quem disseminou o ódio nas redes sociais merece essa derrota e muitas outras.

Confesso que gostei de ver a chapa segunda colocada conquistar 15 cadeiras no Conselho Deliberativo. Nunca concordei com a prerrogativa do estatuto, que permite que, dependendo da votação, o Conselho seja inteiramente dominado por uma corrente só. Teremos pessoas da oposição que merecem o meu respeito e que acho que vão somar, como Alexandre Vilela, André Barbosa e Sergio Poggi.

O presidente Abad tem agora a dura missão de pacificar o clube e arregaçar as mangas. Peter deixa um belo legado estrutural e financeiro, mas o futebol profissional está um desastre. A torcida está humilhada e revoltada, com toda razão. Abad também está, tenho total certeza. Precisamos implementar logo o novo modelo e tornar o Fluminense novamente competitivo em tudo o que disputar.

Boa sorte, Abad. Que Deus o ilumine!

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