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Memória Curta... #sqn (20/10/2016)

Oioi,amores e amoras!

Resolvi dar uma refrescada na memória de cada um de vocês! Vamos lá?

Até dezembro de 2014, o Fluminense teve em seu Depto de Futebol uma estrutura de co-gestão, em moldes parecidos com a antiga parceria entre Palmeiras e Parmalat.

A parceria com a Unimed, que não era apenas patrocinadora de camisa, mas também investia na aquisição de direitos econômicos de atletas, proporcionou ao Fluminense grandes títulos, alguns ídolos históricos e também muito retorno para a parceira nas negociações de jogadores. Mas como nem tudo são flores, também aconteceram divergências, conflitos de interesses, crises e outros problemas inevitáveis em uma estrutura de duplo comando. Muito nhenhenhe e mimimi!

No início de 2015, com a saída da Unimed por motivos financeiros da própria empresa, o Fluminense foi obrigado a assumir o seu Departamento de Futebol sozinho. O fim da parceria infelizmente foi anunciado de forma inesperada, deixando contratos de direitos de imagem com vários atletas sem pagamento. Ou seja, de uma hora para outra, o orçamento para fazer futebol no Flu diminuiu drasticamente, mas ao menos havia um comando único na tomada de decisões.

O atacante Rafael Sóbis, em fim de contrato, foi liberado sem ônus para o Tigres do México.O atacante Walter foi emprestado para o Atlético-PR. O ídolo Conca, com nova proposta tentadora da China, foi negociado e oferecido ao Flamengo, lembram? Ok, só aí foram 3 contratos caros a menos.

No fim de janeiro, o então comando do futebol no Flu escolheu 6 jogadores "Unimed" para permanecerem, com o clube refazendo os contratos então em vigor de Jean, Wagner, Wellington Silva e Fred, assumindo a parte da ex-patrocinadora nas remunerações, e renovando os contratos então recém-encerrados com Diego Cavalieri e Gum.

Além disso, vários jogadores foram contratados, tais como João Felipe, Guilherme Santos, Vitor Oliveira, Lucas Gomes, Vinícius, Giovanni e Marlone. Tais jogadores se juntaram a outros que permaneceram no elenco, escolhidos pelo mesmo comando de futebol na temporada anterior, como o lateral-direito Renato e o volante Edson. O zagueiro Fabrício, também escolhido pelo comando de futebol da vez, foi finalmente dispensado, mas a direção do futebol não conseguiu resolver a situação do zagueiro Henrique, ex-Bordeaux, um "peso morto" que ficou até abril, fim do seu contrato.

Contrariando as expectativas da torcida e das correntes da política interna, o técnico Cristóvão Borges teve seu contrato renovado e foi mantido pela direção do futebol, junto com sua comissão técnica, mesmo após goleadas e eliminações vexatórias na temporada de 2014, quando a equipe ainda tinha Fred, Conca, Jean, Wagner e Cia. Que coisa! Quase tive um piripaque com isso!

No começo do estadual, já ficou clara a fragilidade da nova equipe montada. Derrotas para Volta Redonda e Vasco agravaram o cenário de falta de confiança. Mas aos poucos o time se fortaleceu com o ingresso de jovens da própria base, como Gerson e Kennedy. O Flu respirou ao vencer o Botafogo por 3 x 1, mas um desastroso empate contra o Tigres em 1 x 1 tornou insustentável a permanência da comissão técnica com menos de 2 meses na temporada.

O escolhido pelo Depto de Futebol para substituir Cristóvão foi aquele que até o nome era difícil de dizer... Ricardo Drubscky, que trazia em seu currículo a façanha de ser um treinador de 60 anos sem sucesso em clube algum do país. A duras penas, com um gol no último minuto contra o Madureira, o time se classificou às semifinais do estadual. Entretanto, foi eliminado pelo Botafogo, que tinha uma equipe inferior e mais barata.

O início do brasileiro foi com vitória por 1x0 contra o Joinville dentro de casa, com gol na "bacia das almas", e na rodada seguinte o Flu foi humilhado pelo Atlético-MG levando uma surra por 4x1, num jogo em que o placar poderia ter sido muito pior. Após apenas 8 jogos, Drubscky foi demitido. Ufa!

Com a fragilidade explícita do elenco montado até então, alguns jogadores foram adquiridos durante a temporada, casos de Pierre e Antônio Carlos. Ambos estavam encostados sem jogar no Atlético-MG e São Paulo, respectivamente. O zagueiro Arthur, do Atlético-GO, também chegou. E por ter se tornado um jogador contrato muito caro para o Flu, Wagner foi negociado de forma facilitada. Até q eu gostava dele! Rsrs...

Assumiu Enderson Moreira e a partir daí houve uma decisão importante: a pedido do treinador, foram incorporados ao elenco os jovens Marcos Junior e Gustavo Scarpa, que estavam apenas completando os treinamentos para ser emprestados novamente ou então dispensados. Com a entrada destes dois jogando no limite para colocar o artilheiro Fred na cara do gol, o time melhorou. O elenco conseguiu uma boa sequência de vitórias e terminou o turno com 33 pontos, na 3ª posição. Na prática, o Flu conseguiu encontrar sua competitividade dentro de sua própria casa, usando a ‘molecada de Xerém’. Uhhhh...vem que tem! Os moleques de Xerém!!!

Mas foi então que, num arroubo de ousadia com pitadas claras de intenções políticas futuras, o então Vice-Presidente de Futebol Mário Bittencourt colocou na cabeça que contrataria o meia-atacante Ronaldinho Gaúcho, uma aquisição nos moldes Unimed, mas sem ter mais os recursos da patrocinadora para ajudar no pagamento das despesas. Cartada de alto risco... Surreal!

Como houve, concomitantemente a chegada de Ronaldinho Gaúcho, uma folga orçamentária - pela venda do Kennedy e a opção de compra do jovem Gerson por parte do Barcelona - o comando do futebol foi autorizado pelo Presidente a reforçar o elenco. Com autonomia nas decisões, as demais escolhas foram Wellington Paulista (31 anos, contrato de 4 anos, R$ 150 mil mensais), Oswaldo (contrato de 3 anos, R$ 290 mil mensais), Magno Alves (39 anos, contrato de 1,5 ano) e Jonathan, que só conseguiu jogar no fim da temporada. Devolvido pelos árabes, Cícero também retornou ao Fluminense.

Infelizmente a entrada de R10, positiva em termos de marketing e engajamento da torcida, simplesmente acabou com toda a competitividade da equipe. O time operário, que se sujeitava a correr para o matador Fred finalizar, se tornou uma equipe apática e desequilibrada, com grandes espaços entre os setores... Parecia jogar com um a menos em campo. Aff! Além disso, nenhuma das novas contratações rendeu minimamente o esperado.

Após tomar de 4 x 1 em casa para o Palmeiras, o treinador Enderson Moreira "pagou o pato" e foi só mais um entre os demitidos. O Flu completava ali 7 jogos sem vencer no returno e 9 derrotas nas últimas 12 partidas. Infelizmente, o elenco tinha ficado mais caro e menos competitivo. E claro que não há como negar que tudo isso por conta de decisões do comando do departamento de futebol e com alguns nítidos problemas de ambiente que não existiam antes.

No desespero, o Flu trouxe Eduardo Baptista. Se não foi brilhante, ao menos o treinador conseguiu algumas vitórias que livraram a torcida do sofrimento máximo de um rebaixamento. Mas o Flu concluía o returno com o pior desempenho da sua história na era dos pontos corridos. Inacreditável!

Apurei no Laranjal que, dispensado após 2 meses, R10 recebeu cerca de 400 mil apenas de verba rescisória. A rescisão de Cristóvão e comissão técnica custou ao Fluminense cerca de R$ 1,4 milhão, considerando o próprio treinador e mais Cassiano Santos, Marcos Leme e Rodrigo Polleto. A demissão de Drubscky custou quase 200 mil, e a demissão de Enderson e do seu auxiliar Luis Fernando Flores beirou os R$ 450 mil.

Na Copa do Brasil, o clube conseguiu começar nas oitavas-de-final e eliminou o Paysandu com 2 vitórias e depois o Grêmio com 2 empates, mas perdeu para o Palmeiras nas semifinais, jogando de forma guerreira mas sendo garfado pela arbitragem. Estes jogos contra Grêmio e Palmeiras foram os únicos "lampejos" de grandeza do Fluminense numa temporada para esquecer.

Em 2016, o Flu teve receitas extras com a ótima venda do Gerson ao Roma e as luvas da renovação de contrato de TV a partir de 2019. Resolveu dar uma encorpada no elenco com jogadores mais caros, como Henrique e Richarlison, ambas contratações com custo alto de aquisição bancadas pelo próprio Presidente Peter Siemsen. Começava a ficar claro que o comando do futebol já não gozava do mesmo prestígio.

Por escolhas de Mário Bittencourt, o zagueiro Renato Chaves também foi contratado nos mesmos moldes, pagando custos de aquisição. Mas ninguém entendeu, por exemplo, a liberação quase de graça de Biro-Biro, atleta jovem de grande destaque no ano anterior, quando estava emprestado à Ponte Preta. E num time que precisava de intensidade, não deu liga também a contratação de Diego Souza, com custo mensal de R$ 580 mil (considerando encargos), para fazer rodar uma equipe que já tinha os lentos Fred e Cícero como titulares.

Tava dando a maior bandeira que o ambiente já não era lá essas coisas e após ir muito mal na Florida Cup, o Flu estreou na Primeira Liga com derrota em casa para o Atlético-PR por 1 x 0. No Carioquinha, o time "patinou" com altos e baixos até que todo o departamento de futebol (VP Futebol, gestor de futebol e comissão técnica) caiu após uma derrota por 2 x 0 para o Botafogo, em jogo disputado em Cariacica, com o time apático durante os 90 minutos. Após as mudanças, Jorge Macedo chegou como gestor de Futebol e o Presidente Peter Siemsen acumulou a VP de Futebol. No comando técnico, chegou Levir Culpi com sua comissão técnica. A partir daí o time engrenou uma boa sequência de vitórias e foi campeão da Primeira Liga. Eu estava lá! Foi lindo!

Mas algumas surpresas começaram a ser detectadas. Hunf!!!

Contratos assinados após as saídas da Unimed continham cláusulas de aumento por tempo de serviço e não por performance, tornando jogadores veteranos como Gum, Cavalieri, Jean, Cícero e Fred praticamente inegociáveis. De forma facilitada, Jean foi liberado porque tinha uma ótima proposta do Palmeiras. E por ter um contrato quase impagável, com aumentos progressivos que chegariam a R$ 1,2 milhão de remuneração mensal até 2018, o ídolo Fred também teve que ser negociado no início de junho. Muitos no Laranjal dizem que o capitão já não gozava mais do mesmo ambiente entre os colegas de time...estava na cara,né?

Até hoje, as contratações realizadas durante a gestão Mário Bittencourt não surtiram o efeito esperado e geraram custos inacreditáveis. Além das inúmeras rescisões, atualmente o Fluminense paga 2/3 da remuneração mensal do Wellington Paulista para ele ser reserva do Roger na Ponte Preta, por exemplo... E simplesmente não consegue negociar outros inúmeros atletas por conta do elevado padrão salarial, como acontece com Oswaldo. Outros jogadores, como Renato, atualmente no Avaí, também possuem seus vencimentos pagos integralmente pelo Flu, e existem outros na mesma situação.

Das 23 contratações de jogadores realizadas por Mário Bittencourt após a saída da Unimed, 14 já deixaram o clube e 1 sairá em dezembro (Jonathan). Outros dois, Henrique e Richarlison, foram bancados pelo Peter diretamente. E dentre todas as escolhas apenas 1 jogador (Pierre) é titular no time atual.

Alguns vão falar que o Presidente tem culpa e isso é verdade, pois delegou as ações de forma consciente. Mas as escolhas ruins foram do comando do futebol, ora bolas! Tentar separar isso parece uma forçada de barra incrível da turma do Mário, né... Essa não convence nem os mais ingênuos... Fala sério!!!

Concluindo: como Vice-Presidente de Futebol você falhou, nobre candidato. O sócio do Fluminense não sofre de amnésia. Com esta seqüência de fracassos, deveria continuar atuando apenas como advogado, onde é inegavelmente um craque e muito bem remunerado até então. Sou sua fã! Só que pra presidente, ainda não dá! Quem sabe na próxima?

Mas... parece que a vaidade não permite.

Beijinhos TRIcolores!

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