Colunistas -

Respeitem A Camisa Que A Gente Suou (12/10/2016)

Com muito orgulho, fui um dos fundadores do grupo Flusócio, nos idos de 2003, então apenas uma lista de discussão. Poucas vezes tratei disso por aqui, pois a SempreFlu não é um site político, muito pelo contrário. A política divide nossa torcida. A SempreFlu aglutina.

Mas hoje gostaria de falar da Flusócio, até porque, por coincidência, é aniversário de dez anos dela como grupo político, o que só aconteceu em 11 de outubro de 2006. E resolvi usar como título essa frase do belo samba Moleque Atrevido, de Jorge Aragão. O motivo? Política. A tal política, indigesta, segregadora, que faz tricolores com o mesmo objetivo agirem como inimigos mortais.

Em nome da política, e eu afirmo que é mesmo SÓ em nome da política, o grupo Flusócio sofre, desde o início da campanha eleitoral do clube, uma verdadeiro bullying. Críticas são aceitáveis e até saudáveis mas, desculpem, não é o que vemos nas redes sociais. O que acontece ali não são só críticas. É um movimento orquestrado de difamação que envolve inclusive alguns blogueiros e o tal “site” - que nem vou citar o nome - que há tempos vem se caracterizando como um órgão desinformador, parcial e sujo. O interesse é meramente político. Como hoje é difícil desmerecer Peter, resta a eles desmerecer a Flusócio, seu principal grupo de apoio.

Bullying na Flusócio não é novidade. O “moleque atrevido”, da canção de Aragão, até me lembra os adjetivos pejorativos destinados a nós quando entramos para o clube no final dos anos 90. Patos novos, garotos de internet e outros. Mas vínhamos todos da SempreFlu e só estávamos ali porque chegamos a acreditar que o Fluminense poderia acabar como clube grande. Éramos vistos como intrusos no nosso clube de coração. Na época, a internet engatinhava e praticamente não havia redes sociais, então a pressão era só dentro do clube. Menos mal

De Patos Novos a maior grupo político do clube. Uma trajetória de dedicação ao Fluminense. Não somos melhores que ninguém mas chegamos a essa condição, portanto “respeitem quem pôde chegar onde a gente chegou”. Dez anos de erros e acertos, mas muito trabalho pelo clube, sem dúvida. “Sem desmerecer a ninguém”. E foram muitas as conquistas. A maior delas, na minha opinião, a democratização do clube. O trabalho pela Cidadania Tricolor, a associação em massa, iniciada em 2009 e que culminou com a conquista do direito a voto do Sócio-Futebol, da qual o grupo foi o maior defensor, contra muitas forças do clube que não o queriam.

Outra conquista foi trazer a figura de Peter Siemsen para o conhecimento da torcida. Fundamental para o Fluminense. Peter asumiu o clube quase falido, sem estrutura alguma, com Xerém abandonado e uma sala de troféus que nos envergonhava. Vai entregar o clube no fim do ano com CT quase pronto, projeto viável de estádio próprio, clube na Europa, Xerém bombando, sala de troféus digna de nossa história e o clube respeitado. Se Deus quiser, classificado para a Libertadores. Viram quantos pré-candidatos temos hoje? Em 2010 poucos queriam assumir o clube. Por que será? Agora é mais fácil. O clube foi saneado e viabilizado.

Aí eu leio nas redes várias ofensas ao grupo Flusócio, inclusive com adjetivos que caberiam melhor em uma pessoa física que em um grupo de quase duzentos tricolores. “Arrogantes!”, esbravejam. “Câncer do Fluminense”, pasmem, li outro dia. “Tem que tirar a Flusócio”, vejo às vezes nas redes. “Certo preconceito e muito desdém”, diria Aragão. E principalmente uma obsessão por ganhar a presidência do Fluminense de qualquer maneira.

Arrogantes? Pode ser. Alguns dos cento e tantos podem ser sim. O grupo todo é arrogante? Será? Câncer? Que belo câncer que ajudou a afastar do comando do clube os que nos levaram para a série C. O câncer que ajudou a democratizar o clube, garantir o direito a voto do sócio-futebol e que tornou possíveis as duas administrações de Peter. Aì um sujeito senta diante do teclado e decide chamar de “Câncer”. Que beleza! E os arrogantes somos nós. Querer tirar a Flusócio é legítimo e faz parte do jogo democrático, mas poderiam usar armas mais limpas, hein? E só pra lembrar, este pleito de 2016 será o primeiro em que a Flusócio lançará candidato próprio. Quanta arrogância!

Lamento pelos antigos companheiros que saíram. Têm todo o meu respeito, mas ouso dizer que se precipitaram. Toda gestão tem momentos ruins e há, de fato, horas em que se questiona se o apoio é válido. Mas abandonar o barco seria a melhor solução para o Fluminense? Duvido. O mundo girou. Os que ficaram agora estão felizes por fazer parte de uma gestão com saldos altamente positivos. Os que saíram, infelizmente, agora estão isolados pois a torcida adora Peter. E nós, da Flusócio, nos mantivemos apoiando a gestão mesmo nos momentos ruins, pois era o que parecia o melhor para o Fluminense.

Agora, Flusócio e Peter Siemsen apoiam a candidatura Pedro Abad, que acreditam ser a mais propícia para dar continuidade à estruturação do Fluminense. À luta para tornar o clube poderoso contra a "espanholização". À manutenção e ampliação do excelente trabalho de Marcelo Teixeira.

Sábio Jorge Aragão, que sabe compor sambas falando das injustiças da vida. Não precisam gostar de nós, mas respeitem nossa trajetória, que foi toda pelo Fluminense sem querer nada dele, exceto mais dignidade, vitórias e títulos.

Façam política, briguem para assumir o Fluminense. Isso é legítimo. Mas “respeitem a camisa que a gente suou”.

-


 
Desculpe, não há artigos no momento.
  


Copyright (c) 1998-2018 Sempre Flu - Todos os direitos reservados