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Como Entender Luis Carlos Jr? (25/05/2016)

A primeira vez que ouvi uma narração de Luis Carlos Júnior não poderia ser de melhor memória: foi num vídeo gravado da final de 1995, a partida do gol de barriga. Até hoje, para mim, o jogo mais incrível de todos os tempos. Lembro que gostei da narração, creio que independentemente do resultado do jogo. Achei-o correto e imparcial, no tom adequado que aquela decisão pedia. Foi uma boa primeira impressão, tanto que procurei saber o nome dele, coisa que não faço com frequência. E, apesar da imparcialidade, acreditei que ele fosse torcedor do Fluminense, nem sei ao certo o porquê. Mais tarde, alguém confirmou que Luis Carlos era realmente tricolor.

Disfarça bem. Até demais, eu diria.

Através do Google descobri que ele é carioca e que começou no rádio, já tendo sido inclusive locutor da Rádio Cidade, em sua melhor fase. Depois chegou à televisão e ajudou a criar o Sportv.

Não se pode negar a competência técnica de Luis Carlos como locutor, mas de uns anos para cá, todas as torcidas, e não apenas a do Fluminense, se irritam com as repetições incansáveis do locutor. Ele parece priorizar sempre o telespectador que acabou de ligar a tv e que não sabe da missa a metade. No início da transmissão até seria compreensível, mas durante toda a partida, como é comum acontecer, é de dar nos nervos, principalmente quando é uma situação inquietante para o teorcedor, como “esse resultado elimina o Flamengo”, “esse placar coloca o Vasco na zona de rebaixamento”, coisas assim.

Mas para o torcedor do Fluminense, isso nem é o pior.

Para os tricolores, suas narrações por vezes se tornam uma tortura. Talvez por tentar se mostrar imparcial, Luís Carlos passa a impressão de estar torcendo fanaticamente contra o Fluminense. Um amigo chegou ao ponto de abrir um abaixo-assinado virtual pedindo à Globo que o locutor deixasse de narrar os jogos de seu clube, no que obteve centenas de assinaturas de tricolores também indignados.

No último sábado, tive o ímpeto de tirar o som da tv. Sempre que o time do Santa Cruz recuperava a bola, ouvíamos “E vem o Santa”, em tom alegre, quase eufórico, ao passo que os ataques do Fluminense não mereciam qualquer ênfase. Seria natural se o time pernambucano estivesse dominando o jogo, o que não foi o caso. Mas o pior de tudo foi sua atitude na questão da arbitragem. Fred estava impedido no lance anterior ao do segundo gol do Fluminense, ok, mas sequer foi na jogada do gol propriamente. Luis Carlos pareceu ter achado aquilo o fim do mundo. Repetiu pelo menos cinco vezes que Fred estava em posição irregular. Seu diretor de imagens parecia concordar, pois repetia o lance à exaustão.

E então veio o lance que definiu a partida. O famigerado pênalti inventado para o Santa Cruz. O jogador Grafite errou a bola e caiu sozinho. Luís Carlos Júnior chamou o lance de “pênalti duvidoso”.

Duvidoso, Luis Carlos?

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