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O Maior Jogo De Todos Os Tempos (25/06/2015)

Era difícil, para um tricolor, estar otimista naquele domingo. O empate era deles. Romário era deles. O centenário era deles. Boa parte da mídia era deles. A maioria no estádio seria deles. O favoritismo era todo deles. Parecia que o cenário estava todo montado para que, ao final, a taça, as faixas e a festa de campeão também fossem deles.

O entorno do estádio confirma: a maioria é deles. O otimismo também era maior no lado deles.

Os times entram em campo. Justamente na hora em que a torcida deles solta os balões rubro-negros uma estranha corrente de vento os faz rodar, provocando um efeito interessante. Seria possível que a natureza também estivesse com eles?

Torcida deles contava até 9 e cantava parabéns. Aquele jejum era humilhante!

Chuva.

A chuva caiu inexorável sob o estádio. De que lado estaria a chuva? A quem ela favoreceria? Logo descobriríamos. Soado o apito inicial, fez-se o milagre. O time do Fluminense fazia lembrar Ayrton Senna, que rendia mais em pista molhada. O primeiro tempo foi memorável! Irretocável! Uma pintura! O time do Flamengo não viu bola. Nenhuma surpresa quando saiu o gol de Renato. Nenhuma surpresa quando saiu o gol de Leonardo. 2x0. E era pouco.

Durante o intervalo a tensão baixou um pouco. Faltavam apenas 45 minutos. O time era muito superior. Não havia como eles mudarem aquela tendência. O título seria nosso, sem grandes sustos.

Mas os sustos viriam.

O segundo tempo começou morno, o que até nos interessava. E foi assim até um certo chute de Branco, que estourou no travessão. Aquilo mudou tudo. Eletrizou time e torcida deles. Se o tricolor pudesse escolher, naquele momento, a última coisa que ele gostaria que acontecesse, provavelmente ele responderia “um gol do Romário”. Romário, o grande jogador deles, jamais tinha marcado no Fluminense até então. Um gol dele, naquele momento crítico, poderia significar a reviravolta completa daquela partida.

E foi justamente o que aconteceu.

Gol de Romário. Explosão da torcida deles. A impressão que se tinha era que seria impossível evitar o segundo. Ele viria atropelando, logo a seguir. E veio. Gol de Fabinho. O castelo tão bem construído, no primeiro tempo, ruía diante dos olhos dos tricolores, estupefatos. E não havia o que eles pudessem fazer. O pesadelo iria acontecer.

Do outro lado contavam agora até 10, antes de cantar o parabéns. O grito de “campeão” veio forte também. Parecia justo. Parecia inevitável. Como se levantar daquele tombo? Havia os que acreditavam e tentavam animar os outros. Mas muitos estavam apenas sentados, olhando para o vazio, incrédulos por terem estado tão próximos do paraíso e agora se sentirem à beira do inferno.

Se antes havia os que acreditavam e os que só olhavam, o voo de Lira contra o adversário mudou tudo. Os que acreditavam se sentaram e os que antes estavam sentados, foram embora. O time tinha se entregado. O destempero de Lira deixava isso claro.

Mas não. Aquele não era um jogo qualquuer. Aquele era o jogo mais incrível de toda a história do Maracanã. Era um jogo mágico, que tinha que terminar de uma forma mágica.

O povo tricolor já não assistia mais ao jogo. Estava ali, calado, olhar vidarado, esperando por um milagre.

E ele veio.

Jogada pela direita. Aílton driblando para cá, driblando para lá e, de repente... GOL. Aconteceu. Gol do Fluminense. Estávamos na frente novamente. O sonho voltava a parecer realidade.

Se a voadora de Lira quase tinha posto tudo a perder, a falta de Lima sobre Sávio foi abençoada. O adversário arrancava em velocidade contra a nossa defesa e àquela altura eram 10 contra 9. Ali, Lima sacramentou o título.

O juiz ergueu o braço e terminou um jogo inigualável. O Fla-Flu abençoado, histórico, eterno, extraterreno. E como a maioria dos Fla-Flus decisivos, terminou com a felicidade da torcida do Fluminense.

Parabéns aos tricolores pelos 20 anos do maior jogo de todos os tempos.

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