Colunistas - Casôba

Fla Goebbels (09/04/2017)

Já falei sobre Joseph Goebbels aqui neste espaço. Não é um assunto legal e eu até gostaria de não mencioná-lo mais. Fluminense e nazismo são coisas que não combinam, tanto que nosso clube foi um dos que ajudaram a combatê-lo. Mas no Brasil de hoje, um país essencialmente corrupto, onde as instituições não funcionam e parte da imprensa colabora com atitudes vis, por interesse ou medo, eis que me vem à mente novamente o chefe da propaganda nazista, aquele que pregava que uma mentira repetida milhares de vezes acaba se tornando verdade.

Ter a maior torcida do país não parece ter feito bem ao Flamengo e à sua torcida. Criaram uma megalomania estranha, uma ânsia de quererem parecer sempre maiores do que realmente são, de sempre serem melhores, mais espertos e mais vitoriosos, mesmo quando a verdade aponta para outra direção. Aí ficam repetindo uma inverdade, no melhor estilo Goebbels, tentando fazer com que ela acabe se tornando verdade.

Com Goebbels talvez funcionasse. Ele tinha o apoio de um ditador que controlava todo o país. Mas querer repetir isso no meio do futebol, empurrando goela abaixo dos demais torcedores, é subestimar a nossa inteligência.

Já no início dos anos 70, repetiam que Zico era o novo Pelé. Repetiam, repetiam e repetiam. Parte da imprensa esportiva os ajudava, sem qualquer pudor. Não era. Embora fosse um grande craque, Zico não se comparava a Pelé.

A torcida é a maior do mundo. Repetem, repetem, repetem. Será mesmo que é a maior do mundo? Já contaram? Há pesquisas das torcidas da China e de outros países superpopulosos? Ou é só o que querem acreditar?

Há 30 anos estão tentando tomar, na mão grande, um título que não é deles. Há três décadas repetem, repetem e repetem que são os campeões de 1987, embora pelo regulamento da época, o campeão tenha sido o Sport Recife, que inclusive jogou a Copa Libertadores do ano seguinte. Mas o Flamengo se auto-declarou Tetra naquele ano e, como ganhou mais dois títulos depois disso, esses legítimos, alardeia aos quatro ventos que é hexa. Um hexa com cinco títulos, vejam só. Só no Brasil mesmo. Goebbels ficaria enciumado. Viralizaram a história do “cheirinho de hepta” em 2016. Que cheiro estranho, não? Agora querem ser hepta com seis títulos?

Mas o pior de tudo é a parceria de parte da imprensa. Órgãos que se acham até sérios compactuam de toda essa maquiagem da realidade. O tal “cheirinho” era falado nas resenhas esportivas das grandes emissoras, no Fantástico e em vários outros canais. Parece mesmo uma tentativa de criar uma realidade que se coadune com a realidade paralela em que eles parecem viver.

Vejam que o Fluminense foi o primeiro a fechar parceria com o Consórcio do Maracanã, comandado pela Oderbrecht, em 2013. Um contrato muito bom, que protegia o clube por mais de 30 anos. O Flamengo, do alto de sua megalomania, quis impor mil condições, mas acabou assinando também. O clube e a imprensa divulgaram – e repetiram, repetiram, repetiram... - que o contrato era muito melhor que o do Fluminense. É realmente curioso. Parecem se alimentar disso. De querer parecer sempre melhores e para isso repetir, repetir e repetir uma mentira na esperança de que ela se torne realidade. O contrato deles era tão bom que agora eles querem dar um jeito de anular o deles e o nosso, a qualquer preço, nem que seja por meios não muito decentes.

Isso porque a novidade agora é que o Maracanã tem que ser deles. Por quê? Por que sim. Tem que ser e pronto. “Ah só o Flamengo enche o estádio”. Como assim? Todas as torcidas dos grandes do Rio já encheram o Maracanã, até quando ele era muito maior. O Fluminense acaba de colocar quase 40 mil pessoas numa primeira rodade de Sul-Americana, às 21h45, contra um clube desconhecido do Uruguai em jogo que foi transmitido ao vivo pela tv aberta. “Ah mas o Maracanã tem que ser do Flamengo”. E repetem, repetem, repetem... Querem atropelar um contrato assinado, que dá ao Fluminense direitos de uso do estádio. A empresa que ficou em segundo lugar na licitação, a francesa Lagardère, quer ssumir o contrato, com a desistência da Oderbrecht, e tem esse direito. Ainda que não consiga, o Fluminense teria que ser ressarcido em seus direitos firmados.

Mas eles continuam repetindo, repetindo e repetindo que o Maracanã tem que ser deles.

Que coisa!

Casôba - casoba2000@uol.com.br


 
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