Colunistas - Casôba

O Que Esperar Desse Brasileiro? (12/03/2018)

Estranha essa situação atual do Fluminense pós-patrocínio forte. Tínhamos nos acostumado com uma realidade completamente diferente. Tínhamos condições de trazer os melhores jogadores possíveis dentro do padrão Brasil de futebol. Todos querendo jogar no Fluminense, onde a parceira pagava salários acima do mercado e em dia.

É curioso lembrar agora das discussões em torno do patrocínio que tínhamos. Alguns eram radicalmente contra aquela grande dependência, que realmente havia. Lembro de um torcedor, no Maracanã, que colocou duas barras, formando um X sobrepondo o nome Unimed. Outros a defendiam, como uma fonte importante de renda para um clube mergulhado em dívidas. Eu estava nesse grupo. Cheguei a publicar um artigo neste espaço, chamado “Apoio à Unimed”. Na época sofri críticas que achei um pouco demagógicas: “Apoio ao Fluminense”, retrucou, ironicamente, outro colunista. Como se o apoio à Unimed, a que eu me referia, colocasse interesses da empresa acima dos do Fluminense. É absurdo imaginar que eu pudesse querer algo assim.

O fato é que havia os pró e os contra aquela parceria. Porém, a realidade cruel começava a se desenhar. Quotas de TV maiores para adversários diretos, uma crueldade feita com os clubes brasileiros, com exceção dos preferidos pela emissora que detém os direitos de transmissão. Eu tive discussões homéricas no grupo de emails da SampaFlu. Os “contra” eram barulhentos. Achavam que a parceira mandava demais e intervinha demais. Eu argumentava que quem traz Romário para o Fluminense tem o direito de querer que sua voz seja respeitada.

Claro que nem tudo foram flores. Sim, poderia ter sido muito melhor. Absurdo termos lutado na parte de baixo da tabela, com sérios riscos de queda, nos Brasileiros de 2003, 2006, 2008, 2009 e 2013. Era muito investimento para tanto sofrimento. Isso mostra que o Fluminense tem problemas estruturais sérios e isso não é de hoje. No entanto, foram três títulos nacionais. Algumas disputas de Libertadores, sendo que uma escapou entre os nossos dedos de forma bem cruel. Hoje, acho que todos, absolutamente todos os tricolores sentem falta daquele período. Entrávamos em todos os campeonatos acreditando, de fato, na possibilidadede de vencê-los.

A partir de 2014, a questão das quotas tornou-se ainda mais cruel. Para piorar, um banco estatal que impõe dificuldades pesadas para dar apoio a alguns clubes, escancara suas portas para outros, fazendo o dinheiro jorrar.

No fim de 2014 a Unimed saiu. Os resultados do futebol, óbvio, caíram muito. Aí algumas pessoas falam que Fulano ou Beltrano “acabaram com o clube”. Como eu disse em outro artigo, o Fluminense não acabou nem vai acabar. Ai de nós se uma pessoa ou diretoria conseguisse destruir quase 116 anos de glórias. São grandes dificuldades a serem superadas. Isso não será fácil nem rápido, infelizmente. Mas chegaremos lá.

O que esperar desse campeonato brasileiro que se avizinha? Eu confesso que estou em pânico. Não conheço a grande maioria dos outros times para prever se correremos risco de descenso alto, médio ou baixo. Que há o risco me parece bem claro. O campeonato de 38 rodadas requer elenco forte e diversificado. Não temos. Pouquíssimos torcedores acreditam em uma campanha muito boa.

Eu não me arrisco a fazer uma previsão. Em princípio, torço para chegarmos logo aos 47 pontos, para não sofrermos tanto quanto no ano passado. Se chegarmos rapidamente, pode ser que dê para sonhar com algo mais. Exemplos não faltam. Em 2016 e em 2017, Botafogo e Vasco, respectivamente, entraram no campeonato temendo o rebaixamento, mas chegaram à Libertadores.

O Fluminense precisa de uma nova fonte de renda extra. Essa é a grande necessidade do clube hoje. Espero que ela venha. Quando vier, que saibamos estruturar o clube para torná-lo menos dependente de parceiros.

Casôba - casoba2000@uol.com.br


 
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