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Não Comprarei O Livro Do Nélson Motta (05/09/2005)

Amigos, apesar de ter vivido a época da Máquina, nos tempos de garoto, e me orgulhado daquele escrete formado, que por capricho do destino não conseguiu nada além de dois títulos estaduais e alguns torneios internacionais, fiquei bastante reticente e com muitas dúvidas se compraria ou não o livro de Nélson Motta, cujo tema principal é aquele timaço de 75 e 76.

Primeiramente estranhei a participação do Pedro Motta Gueiros, que não é Tricolor. Também me incomodava a frase inicial do livro, que lembrava que ele, Nélson, antes também não era Tricolor.

Acabei comprando o livro, mas não para mim. Doei-o para ser sorteado no Flurrasco 10, organizado pelos sempristas Gerão e Cotrin, e continuei adiando minha decisão sobre ler ou não o livro.

A decisão de não ler, foi tomada e de forma irreversível, quando li um relato do meu amigo Danilo Félix a respeito de entrevista do Nélson Motta para o canal Espn Brasil, a qual tive a sorte de não assistir. A entrevista, uma oportunidade rara, um momento para exposição positiva da nossa marca, foi usada de forma política, tentando atrair simpatias de torcedores adversários.

Até nos orgulhamos em ter pessoas famosas como nossos companheiros de paixão Tricolor, mas se há algo de que o Fluminense não precisa, são torcedores políticos, que vão a público travestidos de Tricolores apaixonados, mas se aproveitam para fazer média com as maiores torcidas. Falam em nome da massa Tricolor, porém expressando idéias e pensamentos com que não compactuamos.

Já me usei deste espaço para criticar o senhor Jô Soares, nocivo que foi para nosso clube no momento em que mais precisávamos de apoio de nossos torcedores formadores de opinião. Jô, como que para se proteger das pilhérias adversárias, fazia, ele mesmo, observações pejorativas contra a instituição Fluminense, da qual ele se dizia torcedor. Torcedor do tipo de que não precisamos, como costumo dizer.

Não tenho a pretensão de ditar as normas sobre como o torcedor famoso deve se portar. Mas não tenho dúvidas de que as figuras públicas, cujas palavras chegam a milhões de pessoas, precisam ter mais cuidado com o que falam, especialmente quando pretensamente falam em nome de uma grande massa de pessoas.

Eu afirmo sem medo de errar que as palavras de Nélson Motta, de Jô Soares e de Francisco Horta, que vou citar a seguir, não expressam o pensamento da grande maioria da torcida Tricolor.

Para início de conversa, Nélson Motta se derrete em elogios ao Francisco Horta, figura cujo respeito que ainda pudéssemos ter por ele extingüiu-se completamente no momento em que ele foi à imprensa para se dizer "rubro-nense". Por favor, senhor Francisco, retire o "Nense" de sua autodenominação. Seja rubro-negro de uma vez. "Rubro-nense" é uma denominação patética, demagógica e ridícula, que não combina com nossa torcida.

Nèlson Motta, em espaços que, repito, deveriam ser dedicados à divulgação da marca Fluminense, fala de Flamengo por todo o tempo. Para quê? Nao adianta tentar encontrar simpatias entre Fluminense e Flamengo, pois não há. Os Tricolores não gostam do Flamengo e ponto final. E o Flamengo, mas afeito ao seu estilo, chega a entregar jogos dentro de campo para nos prejudicar. Afinidade zero. Qualquer tentativa nesse sentido é hipócrita.

Nélson Motta adora citar a tal invasão corintiana, tentando angariar a simpatia de outra torcida numerosa. Mas o problema maior é a distorção dos fatos. Amigos, eu estava lá. Foi realmente um fato ímpar a quantidade de torcedores que se deslocaram de São Paulo para o Rio naquela ocasião. Mas verdade seja dita, nossa torcida estava maravilhosa naquele dia, e muito maior e mais vibrante que a invasora. Esta, engrossada que estava por enorme número de rubro-negros, vascaínos e botafoguenses, assistiu ao show dos Tricolores, exceto, obviamente, durante as cobranças de penalidades que lhes deram a vitória. A atitude do Horta de enviar dezenas de milhares de ingressos para serem distribuidos em São Paulo foi mais um dos seus factóides teatrais, demagógicos e prejudiciais ao próprio clube que ele presidia.

Pelo relato do Danilo, o Nélson segue falando absurdos como dizer que os Tricolores têm inveja da massa rubro-negra. Amigos, não sei se este senhor tem vícios, mas de alguma alucinação ele estava investido ao fazer tal afirmação. Inveja, senhor Nélson? O maior orgulho dos Tricolores é justamente sermos diferenciados, especiais. Muitos Tricolores escolhem as três cores justamente por não se sentirem atraidos pelo estilo popularesco do nosso rival. O senhor está louco ou trata-se realmente de demagogia barata, talvez para atrair compradores do livro mesmo fora da torcida do Fluminense? Talvez não seja uma boa estratégia, já que essa tal massa rubro-negra não é de consumir muito.

E a lamentável entrevista prosseguiu, com afirmações tristes, como a crítica ao hino Tricolor (admirado por todos os estudiosos da música), depreciando-o mais uma vez em favor do Flamengo. Teria esse senhor uma obssesão pelo Flamengo?

Sou fã da torcida do Fluminense. Não me canso de escrever isto. Acho nossa torcida inteligente, criativa e especial. Mas sinceramente, há torcedores que são nocivos, dispensáveis mesmo. Especialmente os que estão mais voltados para os seus interesses pessoais e não se importam em tentar diminuir a grandeza do clube se for para bajular um maior número de pessoas. Todo o meu respeito a Tricolores ilustres do estirpe de Ivan Lins, Evandro Mesquita, Artur Moreira Lima e Tony Platão, entre outros, pessoas que sempre souberam honrar a paixão pelas três cores.

Não comprarei o livro. Isto está definitivamente decidido. E se dependesse de mim, nenhum outro Tricolor voltaria a comprá-lo.

Imagino que o senhor Nélson Motta deveria juntar-se às suas três filhas, que ele afirma com orgulho serem rubro-negras, e deixar o Fluminense para as pessoas que respeitam seu passado, honram seu presente e acreditam no seu futuro.

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