Arquivo pessoal
Francisco, Renato e Javier

17h02 29/09/2005

Paixão pelo Tricolor supera fronteiras

Neste domingo, contra o Inter, dois uruguaios fanáticos pelo Fluminense estarão no estádio torcendo pelo time do coração.

João Paulo Garschagen, especial para o Pelé.Net

RIO DE JANEIRO - Quando o Fluminense joga fora do Rio de Janeiro, percebe-se a grandeza da sua torcida nas arquibancadas. O amor pelo Tricolor das Laranjeiras supera distâncias e, onde quer que o time jogue, sempre há torcedores exibindo com orgulho o verde, branco e grená.

Mas neste domingo, quando a equipe entrar no campo do Beira-Rio, em Porto Alegre, para enfrentar o Internacional, líder do Campeonato Brasileiro, dois torcedores especiais estarão presentes no estádio para mostrar que a paixão pelo Fluminense transcende fronteiras internacionais. Trata-se dos irmãos uruguaios Francisco e Javier Legnani, que aprenderam a gostar do Fluminense e hoje são tão fanáticos que chegaram a fundar a torcida Fluruguai.

Pela proximidade entre a capital gaúcha e o país deles, os irmãos programaram a viagem a Porto Alegre faz tempo. Embora garantam que o Fluminense seja muito mais importante que o Peñarol, time para o qual torciam quando crianças, será a primeira vez que os torcedores assistirão ao time do coração ao vivo.

FUTURO TRICOLOR NO URUGUAI




No que depender dos irmãos Legnani, uma nova geração de tricolores terá início no Uruguai. Apesar da dificuldade em fazer com que uma criança mantenha viva a paixão por um time de outro país, Francisco já começou a fazer a cabeça da sua pequena filha, Fiorella, de apenas um ano de idade. "Ela também tricolor de coração", garante o pai coruja.

Mesmo assim, a relação dos irmãos Legnani com o Fluminense é capaz de provocar inveja no mais próximo torcedor carioca. Em 2002, a dupla foi pela primeira vez ao Rio de Janeiro para acompanhar as festividades do centenário do clube. Os dois assistiram às cerimônias ao lado de ídolos como Telê Santana. O então presidente David Fishel ficou tão impressionado com a paixão dos uruguaios que os nomeou sócios honorários.

Na ocasião, os dois conheceram o técnico da equipe, Renato Gaúcho, que pelo gol de barriga marcado na final do Estadual de 1995, sobre o rival Flamengo, tornou-se o ídolo máximo dos irmãos uruguaios. Aos 26 anos, Francisco mora em Montevidéu, onde a advocacia não interfere na sua paixão tricolor.

"Eu amo o Fluminense como só amo a minha família. Eu sempre digo que pelo menos 40% do meu tempo dedico ao Fluminense porque sempre estou pensando em algo relacionado ao clube. O Fluminense está sempre presente ao ponto de eu ter feito uma tatuagem com o escudo", disse o torcedor, que ainda é sócio do Peñarol.

O mais jovem, Javier, tem hoje 19 anos e conta que a torcida pelo time brasileiro começou por influência do irmão mais velho. Em 1991, Francisco passou a comprar uma revista sobre futebol que acabara de ser lançada no Uruguai. Nas primeiras edições, havia matérias especiais sobre os principais clubes do mundo e, logo na segunda, publicou uma sobre o Barcelona e outra sobre o Tricolor. Foi paixão à primeira vista.

"Eu tinha apenas sete anos, mas adorava futebol. Meu irmão comprou as revistas e como torcedor comecei a ler sobre o Fluminense. Sua
história, os títulos, os conhecidíssimos Fla-Flus, coisas que nos chamaram muita atenção. Com a memorável decisão de 1995, começou a nossa admiração pelo Renato [Gaúcho]. Com a viagem do centenário, nosso sonho estava cumprido, mas uma coisa ainda restava fazer: assistir a um jogo ao vivo", disse Javier, que estuda Relações Internacionais.

Contra o Internacional, além dos irmãos Legnani, três amigos também uruguaios estarão na odisséia tricolor. Eles levarão uma bandeira de nove metros de comprimento por dois de largura, com as cores do Uruguai e do Fluminense com o nome da torcida internacional: Fluruguai.

"Também temos uma segunda bandeira bem grande e as duas vão estar no estádio com a torcida tricolor. Acho que vai dar para vê-las com facilidade na televisão", disse o mais jovem.

Para os exigentes uruguaios, para que um jogador se torne um verdadeiro ídolo, é preciso, além de uma boa identificação com o clube, conquistar um título para o clube. Por isso, para que Felipe e Petkovic sejam aceitos no seu coração, Francisco exige a conquista de pelo menos um dos dois campeonatos que o Tricolor ainda disputa.

"O Renato Gaúcho me deu uma alegria enorme diante do Flamengo [na final de 1995]. Quando o conheci, senti que poderia morrer tranqüilo. Do time atual, é difícil dizer porque Felipe é o melhor que temos, mas o identifico com o Flamengo. O mesmo acontece com o Pet. Mas tenho muito respeito pelo time e, e se conseguirmos o Brasileiro ou a Sul-Americana, depois falamos de ídolos", disse.